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quarta-feira, 11 de março de 2026

Illuminati: The Game of Conspiracy

Illuminati: The Game of Conspiracy


© Moderno Bestiário - Arte Conceitual

        Faaala! Ainda buscando coisas do passado distante para revisitar, encontrei algumas coisas sobre esse TCG que vai e vem nos tópicos de lendas urbanas desde a década de 90, eu mesmo já escrevi um pouco sobre ele aqui nesse blog e mesmo assim achei relevante falar mais um pouco sobre e aprofundar melhor nessa paranoia toda de uma maneira um pouco mais didática 😜.

           Como um fã de Steve Jackson, e da Steve Jackson Games, foi muito legal revisitar esse assunto, espero que gostem tanto quanto eu gostei. No final da postagem deixo o site oficial do card game para que você possa também visitar e curtir um pouco mais de toda essa coisa estranha, então vamos lá!


Direitos Reservados - Steve Jackson Games - Fone: Divulgação



     Lançado em 1982 enquanto a maioria dos jogos de tabuleiro do início da década de 80 focava em simulações militares rígidas ou temas de fantasia clássica, a Steve Jackson Games (SJG) lançou em julho daquele ano um título que desafiaria as convenções do mercado: Illuminati: The Game of Conspiracy.

    O jogo foi concebido por Steve Jackson (G.U.R.P.S) após a leitura da satírica "The Illuminatus! Trilogy", escrita por Robert Shea e Robert Anton Wilson em 1975. A obra literária era um mergulho lisérgico no pós-modernismo e nas teorias da conspiração. Steve Jackson, percebendo o potencial lúdico daquela "confusão organizada", decidiu adaptar não a história dos livros, mas a sua premissa fundamental: a ideia de que o mundo é controlado por forças invisíveis que lutam entre si.

    Diferente de jogos de conquista territorial como War, em Illuminati a conquista é estrutural. Cada jogador assume o papel de uma sociedade secreta (os Illuminati de Baviera, a Sociedade de Discordia, os Gnomos de Zurique, entre outros) e tenta construir uma "estrutura de poder". A mecânica central envolve capturar "Grupos". Estes grupos variam do mundano ao absurdo: a CIA, os Lobbistas de Armas, os Boy Scouts, as Lojas de Aluguel de Vídeo ou até os Dentistas. Cada grupo possui setas de entrada e saída, criando um organograma visual na mesa do jogador. Se você controla a CIA, e a CIA controla os "Yuppies", você detém o poder sobre ambos.

    O grande triunfo da edição de 1982 foi transformar o medo da Guerra Fria e a desconfiança nas instituições em comédia ácida. O jogo sugeria que por trás de cada evento cotidiano banal — como uma mudança na lei de impostos ou um novo sabor de refrigerante — havia um plano sinistro orquestrado por seres espaciais ou banqueiros suíços.

     Originalmente, o jogo não era vendido em grandes caixas de luxo. Ele fazia parte da linha Pocket Box da SJG — pequenas caixas plásticas pretas que cabiam no bolso e continham componentes minimalistas: pequenos cartões recortáveis, fichas de dinheiro e um manual de regras denso. Esse formato acessível ajudou o jogo a se espalhar rapidamente pelos campus universitários e grupos de RPG, nichos onde o humor subversivo do título encontrou solo fértil.

     O impacto no design de jogos foi imediato. Em 1982, o título venceu o prestigioso Origins Award de Melhor Jogo de Tabuleiro de Ficção Científica. A crítica da época elogiou a sua "rejogabilidade" e a forma como incentivava a diplomacia (e a traição) entre os jogadores.

Para o colecionador e historiador de card games, a versão de 1982 é essencial por estabelecer a fundação mecânica e estética de tudo o que viria a seguir. Sem o sucesso deste jogo de "caixinha de bolso", a febre dos card games colecionáveis dos anos 90 jamais teria existido.



© Moderno Bestiário - Arte Conceitual

Illuminati: New World Order – INWO (1994)

    Essa versão de 1994 (INWO) ficou famosa pelas "previsões", ganhando uma fama de “oráculo” até os dias atuais, com retorno forte recentemente e tendo tornando-se consequentemente mais popular que a versão de 1982, que é celebrada pela elegância do design acadêmico e pela sua coragem em rir de temas que, na época, eram tratados com extrema seriedade política. Foi exatamente essa transição do jogo de 1982 para 1994 o ponto de virada onde o jogo deixou de ser apenas um produto de entretenimento (embora reconhecido de premiado) para ser tornar uma espécie de artefato cultural impulsionado pela invasão do Serviço Secreto em 1990 que veremos logo em seguida.

    Tendo em 1982 estabelecido as bases intelectuais da conspiração, a nova do jogo em 1994, batizada de Illuminati: New World Order (INWO), foi a responsável por elevar o jogo ao status de lenda urbana global. Lançado no auge da "febre" dos Trading Card Games (TCGs) iniciada por Magic: The Gathering, o INWO não foi apenas uma atualização, mas uma reinvenção completa da estética e do alcance da franquia. Naquela época, meados dos anos 90, a indústria de jogos passava por uma revolução e Steve Jackson percebeu que o sistema de "grupos" e "conspirações" do jogo original se adaptava perfeitamente ao modelo de cartas colecionáveis, tendo o cenário certo na época certa e o mercado no ponto certo para os TCGs, a Steve Jackson Games deu a ‘cartada’ que criou uma das maiores lendas urbanas e artefatos culturais Pop das últimas décadas que está sempre indo e voltando do imaginário popular.

    A grande diferença entre a versão de 1982 e a de 1994 reside na arte. Enquanto o original tinha ilustrações cartunescas e bem-humoradas, o INWO adotou um estilo mais sombrio, detalhado e, por vezes, perturbador. Artistas como John Grigni e Dan Smith deram ao jogo uma identidade visual que misturava realismo político com simbolismo esotérico. Foi essa arte específica que, anos depois, alimentaria as teorias de que o jogo continha mensagens subliminares ou premonições de eventos reais.

 

O Serviço Secreto invade a Steve Jackson Games e a presença de Loyd "The Mentor" Blankenship na STG – 1990

 

    Um evento real ocorrido antes do lançamento do INWO é a pedra fundamental das lendas sobre o jogo. Em 1º de março de 1990, agentes do Serviço Secreto dos EUA invadiram os escritórios da Steve Jackson Games em Austin, Texas e confiscaram computadores e rascunhos de livros, incluindo o suplemento de RPG GURPS Cyberpunk.

    A justificativa oficial era uma investigação de pirataria de dados envolvendo um Loyd Blankenship. Loyd havia sido contratado por Steve Jackson no final dos anos 80 para trabalhar como editor de jogos de RPG, sua experiência com computadores e subcultura hacker era encarada como um valioso ativo para a criação de conteúdos mais realistas para o G.U.R.P.S da Steve Jackson Games).

    Loyd era conhecido no mundo (e, principalmente no submundo) digital como “The Mentor” sendo uma figura lendária na história da computação e membro proeminente de diversos grupos hackers famosos nos anos 80 como o lendário “Legion of Doom”. Dentre todas as suas contribuições para a cultura do mundo digital que estava se consolidando naquela época provavelmente tenha sido o ensaio “The Conscience of a Hacker” que também ficou conhecido como O Manifesto Hacker, escrito em 1986 após sua prisão e tornou-se uma ‘bíblia’ ética para gerações de entusiastas da tecnologia sendo citado até mesmo no filem “Hackers” de 1995.

    O Serviço Secreto estava investigando o vazamento de um arquivo confidencial da Bell South (empresa de telefonia), como Loyd era um hacker conhecido e estava publicamente contratado pela SJG escrevendo um livro chamado “Cyberpunk”, os agentes, que não entendiam nada de RPG, acreditaram que o livro não era um jogo de ficção, mas um grande manual para “se perpetrar crimes de computador”. Na invasão eles confiscaram os computadores da SJG, os rascunhos de Loyd e até mesmo a impressora da empresa.

    No entanto, como a empresa estava desenvolvendo o jogo Illuminati: New World Order na mesma época, teóricos da conspiração passaram a alegar que o governo estava tentando impedir o lançamento do jogo por ele conter "segredos reais". Enfim, somo resultado jurídico Steve Jackson processou o governo e venceu em 1993, um caso histórico que ajudou a fundar a Electronic Frontier Foundation (EFF) em defesa das liberdades civis digitais.

    Loyd “The Mentor” Blankenship não era apenas um editor na Steve Jackson Games; ele era um dos hackers mais influentes dos EUA. Sua contratação para escrever GURPS Cyberpunk atraiu os olhos do Serviço Secreto, gerando uma invasão federal que, ironicamente, serviu como o melhor marketing possível para os jogos de conspiração da empresa, alimentando por décadas o mito de que Steve Jackson possuía informações proibidas pelo sistema


As famosas cartas "Terrorsit Nuke" e "Pentagon" - Fonte: Divulgação


Cartas Proféticas


    Não se pode falar sobre INWO sem falar sobre o fenômeno das cartas proféticas, décadas atrás quando escrevi meu primeiro artigo sobre esse TCG foi por elas que iniciei e agora é exatamente por causa delas que volto a escrever um novo artigo sobre Illuminati TCG e Steve Jackson Games. Cartas como "Terrorist Nuke", "Pentagon" e "Epidemic" tornaram-se virais décadas após o lançamento. Para os historiadores de jogos, isso é um testemunho da pesquisa profunda de Steve Jackson sobre os medos da cultura pop: o jogo capturou tão bem as ansiedades da geopolítica e da ficção de espionagem que muitos de seus cenários hipotéticos acabaram ecoando em eventos trágicos da vida real.

    É muito importante notar que o jogo foi lançado em 1994, qualquer evento ocorrido após essa data e que se assemelhe às cartas é o que alimenta as teorias de que Steve Jackson “sabia de algo”.

    No fim, tudo pode ser apenas uma coincidência. FNORD!

 

Vamos ver uma descrição analítica de alguns dos cards mais famosos e controversos:


1. Terrorist Nuke (Explosão Nuclear Terrorista)

Terrorist Nuke


Ilustração: Mostra dois prédios idênticos, arranha-céus de metal e vidro. Uma explosão massiva ocorre exatamente no meio de um deles, com fumaça preta e chamas irrompendo para os lados.

Ficção: Uma carta de "Trama" (Plot) usada para destruir um grupo inimigo instantaneamente através de um ataque direto.

Real: É a carta mais famosa devido à semelhança visual com o ataque às Torres Gêmeas (WTC) em 11 de setembro de 2001.

Comentário Analítico: Embora a imagem seja impactante, historiadores lembram que o World Trade Center já havia sofrido um atentado a bomba em 1993 (um ano antes do jogo). Além disso, o WTC era o símbolo máximo do capitalismo americano, tornando-se um alvo óbvio em qualquer obra de ficção sobre terrorismo na década de 90.

 

2. Pentagon (Pentágono)

Pentagon

Ilustração: O edifício do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA, com uma enorme coluna de fogo e fumaça saindo de seu pátio central.

Ficção: Representa o poder militar e como ele pode ser corrompido ou atacado por conspirações internas.

Real: Também associada ao 11 de setembro, quando o voo 77 da American Airlines atingiu o prédio.

Comentário Analítico: O Pentágono é um ícone militar global. Em jogos de estratégia sobre "dominação mundial", atacar o centro de comando do adversário é um clichê de design. A "profecia" aqui reside na coincidência de ambos os alvos (WTC e Pentágono) aparecerem no mesmo set de cartas.

 

3. Epidemic (Epidemia)

Epidemic

Ilustração: Máscaras cirúrgicas, luvas de borracha, frascos de remédios e a palavra "QUARANTINE" (Quarentena) em destaque. Em algumas versões, vê-se corpos ou pessoas doentes ao fundo.

Ficção: Uma carta para reduzir a resistência de grupos populacionais ou destruir cidades inteiras.

Real: Frequentemente citada durante a pandemia de COVID-19 (2020) e o surto de Ebola (2014).

Comentário Analítico: Pandemias globais são ameaças biológicas discutidas por cientistas e ficção científica há décadas. O jogo apenas incluiu um medo sistêmico real da humanidade.

 

4. Combined Disasters (Desastres Combinados)

Combined Disasters

Ilustração: Mostra uma torre de relógio desmoronando e pessoas correndo em pânico. As pessoas usam roupas com cores que lembram as cores dos anéis olímpicos (preto, amarelo, azul, verde e vermelho).

Ficção: Permite que o jogador jogue duas cartas de desastre ao mesmo tempo contra o mesmo alvo.

Real: Muitos associam a torre da ilustração à Torre do Relógio de Wako, em Ginza, Tóquio. Isso gerou teorias de que um desastre ocorreria durante as Olimpíadas de Tóquio (previstas para 2020, ocorridas em 2021). Outros associam ao tsunami de 2011 no Japão.

Comentário Analítico: Esta é uma das cartas que mais exige "esforço" interpretativo. A torre de relógio é um símbolo genérico de centro urbano (como o Big Ben ou a torre de Wako), facilitando o encaixe em qualquer tragédia urbana real.

 

5. Population Reduction (Redução de População)

Population reduction

Ilustração: Uma caveira estilizada formada pela fumaça de uma cidade industrial, sugerindo extermínio em massa.

Ficção: Os Illuminati buscam reduzir a população mundial para torná-la "mais manejável".

Real: Conecta-se diretamente às teorias de conspiração sobre a Agenda 21 da ONU ou os planos de elites globais para o controle demográfico através de venenos, vacinas ou fome.

Comentário Analítico: Esta carta não prevê um evento específico, mas sim uma "ideologia conspiratória". Ela é o reflexo perfeito do livro The Illuminatus! Trilogy, que baseou o jogo e discute o conceito de "sacrifício de massa" para fins mágicos ou políticos.

 

6. Enough is Enough (Basta é Basta / Atirador de Elite)

Enough is Enough

Ilustração: A face de um homem loiro, de perfil, com uma expressão de raiva/determinação, e o que parece ser a visão de uma mira telescópica ou a ideia de um "basta" político.

Ficção: Uma carta que representa um assassino ou um momento de ruptura onde um líder é removido.

Real: Recentemente, em 2024, a carta viralizou devido à semelhança do personagem desenhado com Donald Trump e o atentado que ele sofreu em um comício.

Comentário Analítico: A semelhança física é notável, mas o arquétipo do "líder político loiro e raivoso" é comum na arte satírica americana dos anos 90, possivelmente inspirada em figuras conservadoras daquela década.

 

    Por mais que as ideias de conspirações e verdades secretas sejam atraentes e charmosas, estamos em tempos em que o discernimento deve ser utilizado sem moderação, os tempos atuais já são bem assustadores e não precisam de mais alarmes ou sensacionalismo. Então, vamos analisar de uma maneira um pouco mais ‘fria’ o que acontece com o reflexo das cartas desse TCG no mundo real.



© Moderno Bestiário - Arte Conceitual

 

O Teste de Rorschach Geopolítico

    De fato, o INWO não funciona como uma bola de cristal, mas sim como um Teste de Rorschach Geopolítico: suas cartas são manchas de tinta onde projetamos nossos traumas coletivos e paranoias sistêmicas, provando que a arte de Steve Jackson capturou não o que iria acontecer, mas o que sempre tivemos medo de que acontecesse.

    O Teste de Rorschach Geopolítico é um fenômeno de percepção psicológica aplicado à análise de eventos globais. Assim como no teste psicológico original — onde o paciente projeta seus próprios pensamentos e medos em manchas de tinta ambíguas — o observador do jogo Illuminati projeta eventos históricos reais em ilustrações genéricas de conspiração.

    A dinâmica dessa observação baseia-se em três pilares fundamentais:

1. A Ambiguidade Semiótica (A "Mancha de Tinta")

As cartas de Steve Jackson não são fotografias de eventos futuros, mas sim arquétipos de crise. Uma carta que mostra um "edifício explodindo" ou uma "doença se espalhando" é visualmente rica, mas propositalmente vaga. Ela funciona como um vácuo interpretativo: como não há detalhes específicos (datas, nomes de vírus ou coordenadas geográficas), a mente humana preenche as lacunas com o evento traumático mais recente que conhece.

2. O Viés de Confirmação e a Pareidolia

O cérebro humano é programado para identificar padrões, mesmo onde eles não existem (pareidolia). No contexto geopolítico, quando um evento chocante ocorre (como o 11 de setembro ou a COVID-19), buscamos desesperadamente uma explicação ou um "aviso prévio". Ao encontrar uma carta de 1994 que ecoa minimamente o evento, o cérebro ignora as 400 outras cartas do baralho que não aconteceram e foca apenas na "coincidência", validando o viés de que o jogo é profético.

3. A Ciclicidade das Crises Humanas

O "Rorschach Geopolítico" funciona porque a história é cíclica em seus desastres. Conflitos no Oriente Médio, epidemias, escândalos financeiros e atentados contra líderes são constantes históricas. Steve Jackson, ao pesquisar teorias da conspiração dos anos 70 e 80, mapeou os medos sistêmicos do século XX. Como esses medos continuam sendo os mesmos no século XXI, as cartas permanecem "atuais".

 

    A conclusão lógica é que o jogo não é um oráculo que prevê o futuro, mas sim um espelho distorcido do presente. Ele reflete as ansiedades permanentes da nossa sociedade. Se o observador vê "o plano dos Illuminati" em uma carta, ele está, na verdade, revelando sua própria desconfiança em relação às instituições e sua necessidade de encontrar ordem (mesmo que seja uma ordem sinistra) em um mundo que parece caótico e aleatório.

  O sucesso das profecias de Illuminati: New World Order deve-se ao fato de que os medos da humanidade em 1994 continuam sendo, infelizmente, os mesmos medos da humanidade no século XXI. O jogo não previu o futuro; ele apenas entendeu as falhas estruturais do presente.

    Steve Jackson não era um vidente, mas um excelente observador de tendências. Ele mapeou todos os cenários de crise que os estrategistas do Pentágono e os teóricos da conspiração discutiam na época: bioterrorismo, ataques a símbolos do capital, desastres climáticos e instabilidade política. Concebendo e guiando um trabalho muito inteligente, ele construiu uma lenda pop urbana fortíssima que continuará ecoando de tempos em tempos no imaginário das pessoas, pois infelizmente de certa forma os acontecimentos retratados nas cartas de INWO não parecem distantes de tornarem-se estranhos ou desatualizados...

 




Vagner Tadeu Firmino

Visite o Site oficial: Illuminati: New World Order


© Todos os direitos de texto e imagens reservados aos autores.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Creepypasta: O Experimento Russo do Sono

 Creepypasta: O Experimento Russo do Sono


Faaala, galera! 😛


    Para essa sexta-feira, dando continuidade aos projetos de vídeo, vou deixar aqui uma vídeo curto que publiquei no meu canal do Yutube  XDevil. Esse material, na verdade deveria ser publicado no meu outro blog, o Super Spooky, mas como já disse antes estou tocando diversos projetos sozinho e realmente não consigo fragmentar o Moderno Bestiário como havia planejado inicialmente.

    O vídeo de hoje faz parte de uma produção em vídeo de creepypastas da internet, embora não pareça produzir esses vídeo com uma qualidade maior do que a que encontramos atualmente realmente dá trabalho 😓. Então, embora não seja a idéia original, essas postagens continuarão por aqui mesmo...

    Já que falei do site, para atualizar vocês, a construção da plataforma continua e, como estou fazendo tudo sozinho, estou aprendendo muita coisa ainda e talvez por isso as coisas estão indo um pouco mais lentas.

    Enfim, vamos à postagem da semana! Espero que gostem.





    

    Agradeço pelo seu acesso, deixe seu comentário e compartilhe para dar aquela moralzinha para o canal, isso realmente me ajuda muito. Se for uma opção para você, considere seguir também meu canal no You Tube 😜


    Muito obrigado e falooou!




Todos os direitos de texto e imagem reservados ao autor.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Creepypasta: A Mulher Sem Expressão

 A Mulher Sem Expressão

    Fala pessoal, vamos para mais uma postagem? Como parte da idéia de revisitar textos antigos do blog, leia sobre clicando aqui, tenho passados boas horas revendo postagens separando aquelas que eu acho que merecem um tratamento mais atual e cuidadoso, e entre conteúdos antigos, suspensos e muitos outros que realmente não valem a pena tentar fazer algo por eles agora a creepypasta "A Mulher Sem Expressão", que na época coloquei o título apenas como "A Expessão" me chamou a atenção merecendo ser atualizada.

    Antes de começarmos, quero agradecer a vocês que estão acessando, lendo e enviando comentários. Obrigado de coração, isso me ajuda a manter a cabeça no lugar e a continuar levando o blog adiante mesmo com todas adversidades e dificuldades que a própria internet coloca para nós que somente sabemos contar histórias escritas, não somos exímios produtores de vídeos verticais e ainda por cima somos tímidos demais para aparecer em telas 😓. O apoio que aos poucos vou voltando a receber nos trabalhos do blog realmente fazem uma grande diferença na minha vida e, espero sinceramente que também possa fazer alguma diferença na vida de vocês.

    Bom, sem mais demora, vamos lá!


A Mulher Sem Expressão, Hospital Cedar-Senai - 1.972

    Em junho de 1972, uma mulher apareceu no Hospital Cedar-Senai, usando vestes brancas manchadas de sangue. Isso não era estranho para um hospital onde as pessoas davam entrada em condições extremas devido a acidentes, por exemplo. Porém, duas coisas teriam feito com que as pessoas que viram essa mulher sentissem desconforto, náuseas e uma grande necessidade de se afastar dela.

    A primeira é que ela não parecia exatamente humana. Ela se parecia com um manequim, mas tinha a fluidez de movimentos de um ser humano normal. Seu rosto era fiel às feições humanas, assim como um bom manequim, também como uma fiel boneca de cera a estranha figura que adentrara ao hospital não apresentava sobrancelhas e nem qualquer sinal ou marca de expressão. A segunda é que havia um pequeno filhote de gato preso em suas mandíbulas, tão fortemente apertado, que não se via nenhum dente enquanto o sangue ainda escorria do filhote para o vestido, enquanto atendentes do hospital ainda relutavam em se aproximar ela puxou o filhote para fora de sua boca e o jogou de lado desmaiando logo em seguida.

    Desde o momento em que entrou no hospital até ser levada para um quarto ela estava completamente calma, sem expressão e imóvel. Mesmo assim os médicos acharam melhor imobilizá-la até que a polícia, já aletada e chamada até o local, pudesse chegar. A equipe de atendimento do hospital não foi capaz de obter qualquer tipo de resposta da mulher e a maioria dos membros da equipe se sentia muito desconfortável em olhar diretamente para ela.

    Tão logo os enfermeiros a colocaram na cama e iniciaram o afivelar da imobilização ao leito, ela reagiu com uma força descomunal. Dois membros da equipe tiveram que segurá-la enquanto a mulher forçava o corpo para levantar-se mantendo no rosto a mesma expressão vazia. Enquanto enfermeiros tentavam conter a estranha figura, ela voltou a atenção para o que médico preparava uma sedação, sua face até então imóvel e sem expressão se contorceu e inesperadamente exibiu um sorriso, um sorriso perturbador que fazia com que ela parecesse ainda mais assustadora ao revelar seus dentes longos e pontiagudos como os de uma fera.

    Uma médica que acabara de entrar no quarto gritou aterrorizada prostrando-se em um canto, enquanto o restante da equipe vacilava no intento de manter a mulher imobilizada. O médico que estava pronto para aplicar a sedação, vendo o sorriso sádico de dentes afiados perguntou quase que de maneira retórica: “Que diabos é você?” Ela inclinou o pescoço para observá-lo, ainda sorrindo. Houve uma longa pausa, a segurança já alertada podia ser ouvida correndo pelo corredor.

    A mulher se lançou para frente, afundando os dentes na garganta do médico, dilacerando-a profundamente, todos se afastaram assustados enquanto o médico caia no chão engasgando-se com seu próprio sangue. Ela se levantou e inclinou sobre ele, aproximando seu rosto do dele, enquanto a vida do médico se esgotava em agonia. Então, com uma voz cavernosa ela disse como se estivesse respondendo à pergunta que o médico fizera segundos antes: “Eu…sou…Deus”. 

    Os olhos do médico se apagaram, sua agonia havia terminado. Amedrontados e encolhidos pelos cantos do quarto os membros da equipe médica observavam a mulher que calmamente se afastava indo de encontro aos seguranças... Nenhum desses seguranças sobreviveu. Uma das enfermeiras, mais tarde, durante seu depoimento às investigações, chamou aquela grotesca figura de “A Mulher Sem Expressão”, ela nunca mais foi vista.



Para ler a publicação original postada nesse blog em 2013, 👉 clique aqui 👈


Muito obrigado pela sua leitura, espero que tenha gostado 💀😊🙌


Fonte do texto e da Imagem: Internet
Edição e adaptação do texto: Vagner T. Firmino
Edição de imagens: Vagner T. Firmino

Todos os direitos de texto e imagem são reservados aos autores

terça-feira, 8 de outubro de 2024

CASOS ESTRANHOS: INVASOR INVISÍVEL - O Desaparecimento de Brianne Sullivan


 

Um estranho invasor, o breve relato de uma garotinha sobre uma estranha figura a observá-la e um desaparecimento. Uma sequencia de acontecimentos insólitos que destruíram a vida de uma família. Estariam estes eventos estranhos ligados entre si?



INVASOR INVISÍVEL

O Desaparecimento de Brianne Sullivan

 

            Em busca por respostas sobre o que aconteceu comigo e com minha família, tenho dedicado tempo pesquisando similaridades e pistas que possam esclarecer ao menos parte do que aconteceu conosco. Nestas pesquisas foi inevitável, diante da natureza insólita do ocorrido, que eu acabasse me deparando com sites e comunidades na internet sobre paranormalidade e sobrenatural, não é desconhecido que a internet é rica em relatos fantásticos e em todo tipo de teorias da conspiração, mas era a única via que me restava. Eu encontrei diversos relatos, de diversas fontes, que ao final sempre conduziam as pessoas para um final trágico e traumático... Bem, até agora esta foi a única semelhança com meu caso.

Escreverei este relato da maneira mais simples que eu conseguir, acreditando que assim, atentando somente aos fatos e explicando-os, o caso possa ser levando mais a sério e não terminar somente como mais uma ‘creepypasta’ na internet. Uma pequena frase dita pela minha irmãzinha durante o tenso acontecimento pode levar você a ligar o caso que relatarei ao mito sobre o “Homem Esguio”, mas espero que perceba que isso pode ser apenas uma mínima semelhança já que o que aconteceu conosco possui muitos outros elementos que divergem dos muitos relatos que povoam a internet.

Nosso pesadelo teve início quando eu tinha 10 anos de idade, minha irmãzinha tinha apenas 4 aninhos, minha mãe estava chegando aos 40 anos e minha avó, a quem visitávamos todas as férias escolares, tinha 70 anos e era muito lúcida e ativa. Dou ênfase às idades e às condições de cada um de nós para que possam perceber que minha irmã e eu estávamos acompanhados por adultos lúcidos e ativos com idades não muito avançadas para serem considerados senis.

Durante nossas férias na casa de nossa avó também sempre estava conosco tio Steve, um homem jovem, também lúcido e ativo, um caçador bem conhecido pelos locais e dotado de um censo prático difícil de encontrar nos dias de hoje. Tio Steve era irmão de minha mãe, apenas três anos mais novo que ela e também foi uma testemunha do ocorrido e sofreu com os sentimentos traumáticos até o fim de sua vida.

domingo, 10 de julho de 2022

TITIVILLUS

TITIVILLUS

O Demônio que induzia erros literários.

Os monges medievais deram o nome de Titivillus a um diabinho encarregado de induzir a erro e omissões em textos que os escribas (copistas e calígrafos) levavam a cabo durante seus extensos trabalhos de cópias de livros.

 

A origem e as tarefas

 

A origem de Titivillus perde-se no tempo e já teve diversas aparências distintas durante os séculos e até mesmo sua função já foi alterada diversas vezes, no século IV dizia-se que Titivillus percorria os monastérios cristãos com a função de anotar os pecados que ali eram cometidos, tendo também como tarefa anotar o nome dos monges que por ventura perdessem a concentração durante a celebração de ofícios religiosos, entendendo que esta perda de concentração podia manifestar-se como erros de leitura das Sagradas Escrituras ou se um ouvinte não estava dedicando a devida atenção por estar pensando em outros assuntos ou por estar em conversas vãs. De qualquer forma a perda da concentração durante os ofícios religiosos acarretava em mais um nome nas anotações de Titivillus.

 

Sua posição na Litania Infernal – Demonologia

 

Sempre, e isto era comum em todas as épocas e representações do diabinho, Titivillus viajava todos os dias ao inferno para informar a Satanás o nome do monge e o pecado cometido e este por sua vez anotava as informações em um grande livro que seria lido diante de todos no Juízo Final.

Apesar de aparentemente ter uma importante função, a de atrapalhar a vida dos disseminadores dos estudos religiosos, Titivillus era um demônio menor. Respondendo para Belphegor, Lúcifer ou Satanás, seu ordenador foi alterado com o passar do tempo, sendo mencionado pela primeira vez no “Tractatus de Penitentia”, escrito por Johannes Galensis que também indica que o primeiro a nomeá-lo foi o escritor alemão Cesário de Heistenbach.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

CREEPYPASTA - A EXPRESSÃO


            Em junho de 1.972 uma estranha mulher chegou ao Cedars-Sinai Medical Center em Los Angeles, Califónia, vestindo apenas uma camisola branca manchada de sangue, nada disto seria tão anormal na rotina de um hospital se não fossem duas coisas: A mulher claramente não tinha uma aparência humana comum e segurava firmemente com as mandíbulas os restos de um pequeno gato. Seus dentes estavam cravados tão profundamente no animal que era impossível ver os dentes da estranha figura e quando os primeiros enfermeiros se aproximaram dela ela cuspiu os restos do gato e desmaiou.
            A mulher despertou no momento em que a levavam para um quarto, mas não expressou nenhuma reação, ninguém conseguia olhar para ela por muito tempo, todos sentiam desconforto, terror e náuseas. Sua inexpressão era perturbadora, seu rosto era totalmente imóvel e aparentemente rígido como o rosto de uma boneca, ou de um manequim.


domingo, 9 de dezembro de 2012

A MULHER ESTRANHA - MINAS GERAIS, BRASIL, 1.970



            Recentemente enquanto procura por material novo para o blog me deparei com uma foto que me chamou a atenção, era identificada apenas como “A Mulher Estranha” e naquele momento resolvi que iria pesquisar mais sobre aquilo. Comecei então a fase de introspecção que minha esposa odeia, mas entende, pois sabe que casou com um tipo estranho de nerd... Bem, comecei a pesquisa pelas fontes óbvias, geralmente nesta fase somente encontro um monte de Ctrl+C e Ctrl+V, ou seja, muitos sites com as mesmas postagens e muitas vezes com os mesmos erros de tradução. Desta vez não foi diferente, a única informação que encontrava sobre a foto era assim:

            "Em 1.970, numa região muito pobre e afastada do Estado de Minas Gerais, essa mulher surgiu misteriosamente no distante povoado. Penalizada com sua situação, uma família local lhe forneceu abrigo e roupas. Essa criatura totalmente fora do tempo e do espaço não falava. Ale, de ter as feições distoantes de todos os padrões conhecidos, possuía também uma espessa crina que lhe descia pelas costas. Denotando inteligência e também alta sensibilidade emocional, apesar de não poder se comunicar era constantemente vista chorando. Sabe-e que foi examinada por cientistas, um dos quais chegou à conclusão que a mulher poderia ter tido “antepassados esquisitos” e que seu caso era “realmente espantoso”. Não se sabe de onde exatamente ela veio e qual o destino que lhe foi dado."


terça-feira, 6 de novembro de 2012

CREEPYPASTA - SLENDER MAN


             “The Slender Man” (O Homem Esguio) é uma figura paranormal que supostamente existe há muitos séculos cobrindo uma extensa área geográfica onde muitas vezes recebe outros nomes de criaturas lendárias locais como o Fear Dubh da Escócia ou o Grosse Der Mann segundo lendas alemãs.
            Sua aparência é de um homem alto e magro com o torso, braços e pernas muito longos possuindo também 8 tentáculos, conforme as descrições, que saem de suas costas e podem ser retraídos ou esticados para cobrir grandes distâncias. Segundo as descrições nas aparições dos últimos séculos Slender Man está veste um terno preto.




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

CREEPYPASTA - GARFIELD




            A Creepypasta desta vez está mais longa que o normal, pois resolvi não apenas contar a história das “Tiras Perdidas” resolvi ir um pouco mais além para poder mostrar um Garfield (e um Jon Arbuckle) que nem todos conhecem. Através de uma creepypasta montei algo um pouco maior envolvendo também as tiras de Garfield Minus Garfield, a origem das personagens e algumas análises que se fizeram necessárias ao decorrer da concepção do texto.
            Já fazia um bom tempo que não me deparava com uma creepypasta tão ‘psicológica’, algo que realmente me fez parar para pensar (e repensar) algumas questões que em um primeiro momento parecem triviais nesta nossa apressada vida moderna. Algo que também chama atenção para como enxergamos as coisas, como vemos e, na realidade, não entendemos o que estamos vendo.
            Estamos sempre com pressa e neste momento pressa é o que você não vai poder ter...


GARFIELD – A TIRA PERDIDA


            Em uma manhã de outubro de 1.989 o gato Garfield acorda com uma sensação horrível e imediatamente procura por Jon, seu dono, e pelo seu companheiro canino Odie. Angustiado Garfield percebe que está sozinho e a casa que tanto ama está aos pedaços, os dois amigos do gato criado por Jin Davis estão mortos já há muito tempo e Garfield está sozinho...
            Desesperado Garfield passa a criar uma outra realidade, ele passa a criar um mundo imaginário, onde Jon e Odie ainda estão vivos e ele não precisa mais viver sozinho.
            Após a publicação desta série de tiras, comenta-se que todas as tiras depois de outubro de 1.989 não pertencem à linha do tempo de Garfield, mas sim somente dentro de uma fantasia criada por um gato solitário e moribundo com o medo gigantesco de morrer sozinho em uma casa abandonada e caindo aos pedaços.
            Um fã de Garfield escreveu uma repreensão à Jin Davis sobre a idéia de criar uma sequência tão sinistra e depressiva, onde Davis respondeu com naturalidade: “Era outubro e o Halloween se aproximava, a idéia era fazer uma história assustadora, mas com o medo real e não o de Hollywood com fantasmas ou abóboras voadoras e sim o temor que transcende todas as culturas. O principal temor: O medo de ser e morrer sozinho”.

            Seguem as tiras reunidas em inglês e em seguida traduzidas para o português:









            Se você achou estas tiras estranhas ou desconcertantes continue lendo... Mas antes vamos ver o início de Garfield e sua turma...

A ORIGEM DE GARFIELD

O Garfield é estrela de uma das tirinhasmais famosas da história e é publicada em 2.570 jornais de todo o mundo (só perdendo para Peanuts). Os outros personagens principais são Odie, um cão, e Jon Arbuckle, um cartunista, dono dos dois. Garfield é criação de Jim Davis, que tirou o nome de seu avô James Garfield Davis (este teve seu nome inspirado pelo presidente americano James Garfield).
Nos anos 70  Jim Davis escrevia uma tirinha, Gnorm Gnat, que não tinha boa recepção e um editor disse que "a arte era decente, as piadas eram boas", mas não dava para o público se identificar com um inseto. Davis respondeu criando uma tira com um gato, escolhendo o animal pela simples falta de tirinhas estreladas por gatos e também por ser um personagem fácil de criar merchandising.
Garfield estreou em 19 de Junho de 1978 com traços disformes, bochechas enormes e olhos pequenos ejá mostrando o característico sarcasmo em sua primeira tira:

Jon - Oi, eu sou Jon Arbuckle, e esse é meu gato, Garfield.
Garfield - Oi, eu sou Garfield, sou um gato, e esse é meu cartunista, Jon.
Jon - A nossa única preocupação é divertir você
Garfield - Comida.

No 10º aniversário houve uma tirinha especial na qual Jon mostra um "álbum de fotos" com quadrinhos antigos. Ele diz que Garfield não mudou nada nos 10 anos e a resposta do gato é a mesma do original: "Comida".

Alguns temas comuns em Garfield

  • Tédio: Garfield vez ou outra não tem o que fazer e fica olhando para o teto, filosofando;
  • Televisão: o preguiçoso gato adora TV e quando assiste se depara com programas simplesmente indescritíveis e filmes como "O Monstro de Lama". Os roteiristas usam a TV para criticar a própria cultura pop;
  • Dieta: Jon frequentemente tenta submeter o guloso gato aum regime. Daí as idéias sobre dieta, alucinação com comida e ataques à cozinha. Uma dieta foi a justificativa para alterar o traço de Garfield, no começo dos anos 80;
  • Segunda-feira: Garfield "nasceu" em uma segunda-feira, mas a odeia. Frequentemente as tirinhas de começo da semana mostram o gato se ‘esborrachando’ ou reclamando, mas quando 19 de Junho cai numa segunda, Garfield acaba celebrando;
  • Fora de casa: Quando Garfield sai de casa algosempre acaba dando algo errado, ele sobe árvores, é atacado por grandes cães ferozes, pula em canteiros e salva pássaros;
  • Praia: Praticamente em todas as férias, Jon vai para praia, o que Garfield odeia por ser quente e não ter televisão;
  • A Cerca: Garfield faz shows lá. Conta piadas terríveis, canta e recebe objetos arremessados pelo público;
  • Veterinário: Ocasionalmente Garfield vai ao veterinário, o que ele odeia. Gostando apenas de ver Jon recebendo foras sucessivos da veterinária, Liz;
  • Janela: Garfield olha para fora e comenta os fatos estranhos;
  • Aranhas: Garfield odeia aranhas e adora esmagá-las com jornais;
  • Aniversário: Na semana antes de 19 de Junho Garfield faz sua filosofia sobre aniversários e pensa no passado. Em 2003, o Garfield de 1978 veio visitar o "atual";
  • Natal: Garfield vê da árvore de natal, a neve e oa enfeites, mas seu interesse são os presentes;
  • Ano Novo: Em todo 1 de Janeiro Garfield sempre começa o ano atormentando Jon com uma corneta.
            Vez ou outra tirinhas com "Acredite se Quiser", "A História dos Gatos", "A História dos Cães", com a ciência e a história do ponto de vista do gato.Ainda há as histórias que satirizam o consumismo, com vendedores oferecendo produtos absurdos que Jon normalmente compra sem pensar duas vezes. Algumas vezes são inúteis (um estátua de Leonardo DaVinci em macarrão), ou vêm com defeitos ou "pegadinhas" ("Se você comprar hoje ganha o manual, por apenas 50 dólares adicionais!"). Os vendedores batem à porta ou aparecem na televisão.



NOSSA VIDA DE JON ARBUCKLE


            As tiras de Garfield em seus temas recorrentes, conforme mostrados acima, nos levam a perceber que o humor é um fato menor em Garfield, em geral o que ocorre são críticas ao comportamento humano, solitário e depressivo. Penso que talvez o mais tétrico e ao mesmo tempo o mais triste de tudo isto seja a ilusão de Jon em transformar um gato em um companheiro humano que nem assim o respeita ou estima, existindo aí uma relação totalmente insubordinada e egoísta e a inversão de papéis entre animal e homem, entre dono e criação.
            As tiras ironizam pessoas que transformam os animais de estimação nos verdadeiros “donos da casa” e também mostra um animal atuando como homem, inclusive andando sobre duas patas e enfrentando problemas humanos, o que particularmente me fez pensar muito no livro “A Revolução dos Bichos, de George Orwell”.
            Alguns certamente ao irão bradar “Mas os animais são inocentes e precisam de nossa atenção, eles dependem de nós”, ou talvez, “Prefiro os animais, eles são mais sinceros que os humanos”. Concordo, eu também prefiro os animais à alguns humanos que me rodeiam, mas a questão é a preferência em conviver com um animal ao invés de parentes e amigos. A superproteção dedicada a um animal em ao invés de, por exemplo, um membro da família e tratar animais como crianças de colo.
            A verdade por detrás das tiras mostra a vida de um solitário fantasiando a vida humana de um gato, os desejos, medos e expectativas de Jon sendo personificadas na figura de um gato que lhe devolve, em versão negativa, todas as suas esperanças.
            Você conversa com animais? Tudo bem, eu também, mas você só conversa e trata bem os animais e apenas se sente à vontade com eles e não quando está com amigos ou parentes? Despeja em seu animal de estimação personificações humanas pensando que ele tem os mesmo desejos e pensamentos que você ou uma criança? Isto é muito diferente de carinho pelo bicho de estimação... Talvez você seja um Jon Arbuckle e você e seu animal precisem de alguma ajuda.



A VIDA DE JON EM “GARFIELD MINUS GARFIELD”


            Garfield Minus Garfield é um site dedicado a remover o Garfield de suas próprias tiras em quadrinhos, a fim de revelar a angústia existencial de Jon Arbuckle. É uma viagemprofunda na mente de um homem comum isolado e como ele luta uma batalha perdida contra a solidão e a depressão em um tranquilo subúrbio norte-americano.

 
John percebe que na realidade está sozinho.




            Nestas tiras podemos observar um Jon solitário e depressivo falando sozinho ou com algo que não pode lhe dar respostas ou suprir suas expectativas. Em Garfield Minus Garfield eu não consegui definir realmente se o gato alaranjado realmente não existe ou se na verdade ele está lá apenas cumprindo seu papel de gato, ou seja, indiferente (invisível) às humanizações que Jon atribui a ele...


Garfield Minus Garfield - http://garfieldminusgarfield.net/


Vagner Tadeu Firmino
17/02/2.012