terça-feira, 5 de maio de 2026

J. - Uma Fanfic Baseada Na Lenda Digital de "Jeff The Killer"

 

J. Nas Sombras do Quarto

    Faz tempo que não escrevo uma fanfic, então como estou desenferrujando várias atividades de antes do caos (rsrs), fanfic me pareceu legal. Sempre curti muito criar histórias baseadas em lendas urbanas e digitais e em Arquivo X. Colaborar não oficialmente, escrevendo e criando histórias apenas mesmo por ser um fã da lore, por gostar dos personagens e assim conseguir ajudar a despertar o interesse de outras pessoas a divulgar e difundir o conteúdo original e talvez incentivá-la a escrever fanfic também é algo que eu acho muito legal.

    Ainda estou resgatando bastante material escrito em cadernos e folhas soltas, mas tenho certeza de que pouco disso poderá ser publicado, tem muita coisa ruim e mal escrita ali no meio e reescrever realmente é uma atividade enfadonha para mim... Bem, inaugurando uma tag de fanfic aqui no blog, segue para leitura a fanfic “J.” inspirada na lenda digital de Jeff the Killer.

    Confesso aqui que não sou um fã da creepypasta de Jeff the Killer, mas garanto que foi estranhamente divertido escrever sobre sem gore e excesso de violência descritiva. Claro que existe um fator psicológico forte no meu texto, afinal isso faz parte do meu estilo de escrita, e em tempos em que temos que tudo é difícil, recomendo discernimento (assim como recomendo isso para tudo na vida), isso é uma obra ficcional. É uma leitura recreativa, não deve ser levada para o coração.

    Enfim, espero que goste da fanfic, comenta aí o que achou e vai acompanhando o canal do Moderno Bestiário no Youtube que logo teremos um vídeo dessa fanfic por lá.


J.

Uma Fanfic Baseada Na Lenda Digital de "Jeff The Killer"


J.


    Caminhos gastos, portas que rangiam com o vento, luzes que piscavam como olhos cansados. J. cresceu ali, entre becos onde a escuridão parecia acumular segredos e escárnios que viravam lâminas. Quando pequeno, gostava de contar estrelas; quando cresceu, aprendeu a contar memórias que só faziam machucá-lo.

    No começo tudo foi pontual: empurrões no recreio, apelidos que magoavam, portas fechadas e humilhações em corredores vazios. Aprendeu a andar com cuidado pelas ruas sujas do bairro, a baixar a cabeça quando passava por valentões na escola.

    Em casa, o silêncio também ensinava. Havia um irmão que foi punido por rir alto demais. Havia pais que discutiam de maneira violenta e incessante. As noites eram uma sucessão de portas trancadas, brigas e castigos.

    A primeira vez que J. percebeu que algo dentro dele mudava, era inverno e as ruas cheiravam a humidade, sujeira e fumaça. Ele foi empurrado contra um muro por três valentões com humilhações que não tinham fim. Levou socos, empurrões e escutou ofensas. Não foi apenas a humilhação; foi a sensação de que, em cada ataque dirigido contra seu corpo e seu espírito, um pedaço de sua vida se partia e jamais poderia ser remendado, nada poderia colar as partes para torná-lo inteiro novamente.

    Quando se cansaram, os valentões o deixaram ali sozinho, humilhado e envergonhado. J. olhou para as suas mãos e viu nelas pedaços de si mesmo. Não sentia dor na carne; sentiu um buraco pulsante no espírito dilacerado. A partir daquele momento, J. era outro.

    As mudanças inicialmente eram imperceptíveis para quem olhava distraído, mas eram colossais para ele que as vivia. Sua pele perdeu a cor do dia e tomou um tom de luar esmaecido. Os olhos, antes inquietos, passaram a fixar pequenos pontos no ar, como se vissem diagramas e símbolos secretos nas sombras. J. parou de fugir; começou a andar como se soubesse caminhos que os outros ignoravam.

    Ele aprendeu a escrever mensagens em códigos que só ele entendia: Símbolos riscados em paredes, frases cortadas em cadernos velhos, um traço repetido em cantos sombrios... Não era exibicionismo; era uma forma de deixar pistas — talvez para si mesmo, talvez para alguém que viesse depois.

    As pequenas marcas se espalharam pela cidade como tatuagens de sombra: Um símbolo na entrada da escola, uma palavra desconhecida numa árvore, uma página arrancada de um livro na biblioteca. As pessoas notavam, comentavam, e depois esqueciam. J. observava tudo isso com a calma de quem planta uma semente e espera que uma frondosa árvore cresça e mude a paisagem para sempre.


J.


    J. resolveu testar o mundo. Nada de espetáculos, nada de tragédias épicas. Ele preferia os gestos pequenos e precisos. Ele começou a visitar casas, a soprar palavras na durante o sono das pessoas, a deixar bilhetes que eram, ao mesmo tempo, ameaças e convites. Suas ações sussurravam, e o sussurro corria pela cidade como um vento frio. As vítimas não se transformaram em monstros da noite, pior que isso:  tornaram-se inquietas, insones, com a sensação de que algo as observava no canto de seus quartos.

    Não era prazer o que movia J., e talvez isso fosse o mais perigoso: havia uma lógica fria, uma arquitetura de intenções que visavam apenas dissolver o conforto dos outros. Cada sorriso arrancado das bocas alheias era uma pedra posta no fundo de um poço onde ele observava a própria imagem afundar. Às vezes, por minutos longos, J. via refletido no rosto de quem temia uma verdade que não sabia nomear — a prova de que, naquele mundo, a violência não precisava ser ruidosa para ser completa.

    Aos poucos todos os pequenos atos foram se acumulando e dando forma a algo grande, escuro e assustador. Conversas veladas sussurravam sobre um rapaz de rosto pálido caminhando pelas sombras. Notícias circularam sob manchetes menores que não sobreviveram à pressa do dia seguinte, mas que fixaram na memória coletiva um aviso: Algo espreitava na escuridão.

    J. não se tornou lenda por um ato espalhafatoso; tornou-se sombra silenciosa. Ser lembrado e ser temido não nasceu de um único momento, mas em muitos pequenos cortes que não cicatrizavam. De quando em quando, alguém encontrava uma das marcas que ele deixara e, se olhasse com cuidado, via ali mais que vandalismo — via um mapa pessoal de desespero e vingança.

    Numa noite sem vento, quando a cidade parecia respirar apenas por inércia, J. entrou na casa onde crescera. As tábuas do piso rangiam com a mesma preguiça dos tempos antigos. Ele caminhou pelos cômodos como quem visita um arquivo de ruínas. No quarto onde dormira com o irmão, encontrou lembranças como notas de um passado que não sabia mais como acolher.

    Passou a mão por objetos, sentiu memórias quentes como fósforos. Não houve grito, não houve confronto. Apenas um reconhecimento: havia um abismo dentro dele que não pedia espetáculo, apenas presença. Ao sair, deixou um bilhete. Não era uma confissão, nem um desafio. Era a assinatura costumeira, um símbolo que agora parecia menor, quase tímido. Talvez tenha sido para lembrar que alguém fora de cena existira ali, talvez tenha sido um pedido mudo para que o mundo continuasse a se mover. Ninguém encontrou o bilhete por muito tempo. Ou, se encontraram, não o entenderam.

    A cidade seguiu. As ruas continuaram a abrigar coisas que ferem e silêncios que nem sempre curam. J. caminhou por caminhos que agora pertenciam a ele tanto quanto já haviam pertencido aos outros. Não houve redenção dramática, nem transformação definitiva em monstro mitológico. Houve, isso sim, uma mudança lenta: O garoto que se curvava à dor aprendeu a andar com um peso que não era apenas seu e, em vez de explodir, tornou-se guarda de sombras.

    Se alguém hoje encontra uma marca — uma página arrancada, um símbolo discreto num muro — pode escolher ignorar. Ou pode, por um segundo, inclinar a cabeça e tentar ler o mapa que J. deixou. Talvez encontre um aviso, talvez um espelho. E talvez, nesse gesto simples, a cidade aprenda a olhar para os cantos onde os outros ficam acuados e massacrados, talvez a cidade aprenda a reparar as fissuras antes que se tornem abismos.


J.


Importante:

Nota editorial sobre direitos autorais e natureza da fanfic

 

Aviso de transparência:  Esta fanfic é uma obra derivada e transformativa, criada com base na lenda digital Jeff the Killer, amplamente difundida em fóruns e comunidades de creepypastas. O conteúdo aqui apresentado é ficcional e não oficial, desenvolvido apenas para fins de entretenimento e homenagem à cultura de horror da internet.

Todos os direitos sobre o material original pertencem aos seus respectivos criadores e comunidades. Esta publicação não reivindica propriedade intelectual sobre o personagem, imagens ou enredos originais, e não possui fins comerciais.

A fanfic segue os princípios de uso justo (fair use) e de criação derivada não comercial, respeitando as normas de proteção de direitos autorais e incentivando a produção criativa responsável.

Em resumo:

  • Esta é uma interpretação pessoal e independente;
  • Nenhum elemento protegido foi reproduzido sem autorização;
  • O objetivo é preservar o espírito da obra original, sem violar direitos ou explorar material alheio.


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