quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Feliz 2026 e os Rumos do Bestiário

 FELIZ 2026 E OS RUMOS DO BESTIÁRIO


Os rumos do Bestiário


         Fala galera, tudo bem?


    Sei que estou um pouco atrasado na postagem (Se é que isso é novidade rsrs), mas eu não posso deixar de desejar um Feliz 2026 para vocês, e de agradecer por estarem junto com comigo nesse blog mesmo com todos os problemas que tenho enfrentado nos últimos anos e a baixa quantidade de conteúdo novo... Desde minha última postagem percebi que os acessos ao blog aumentaram e isso é uma grande vitória, pois é um trabalho que está na contramão da realidade da internet hoje, mas esse será o assunto de uma postagem em breve.

    Agradeço muito o acesso e o apoio de vocês, muito obrigado!

    2025 foi o ano que resolvi desenhar alguns planos para retomar o blog, depois de um período muito difícil que iniciou com a pandemia no final de 2019 que tornou todo o processo pelo que passei ainda mais difícil, mas apesar de tudo e da torcida contrária, veja só, eu consegui. Quem diria, não é mesmo? 😃

    Neste ano a frequência de postagens aumenta, tenho uma boa quantidade de material já produzido e algumas ideias sobre novos temas. E é aí que uma mudança fundamental começa: A migração de plataforma.

   Sim, galera. Mudaremos de plataforma em breve, a nova plataforma será capaz de abranger um trabalho maior e com mais suporte para a utilização de outras mídias. O Blogspot foi bom para mim durante todos esses anos e sempre conseguiu me entregar tudo o que estava dentro do escopo do que eu estava apto a fazer, mas agora eu preciso de algo um pouco maior e mais abrangente, por isso teremos dentro de alguns meses uma nova casa, um novo domínio e novos conteúdos.

     Mas tranquilo, você será notificado com antecedência e todos os avisos e novidades serão postados aqui primeiro. Não pretendo tirar o MB do ar, ele vai continuar aqui e ainda por bastante tempo será a ponte entre os trabalhos mais antigos e os novos. Esse blog tem muita história, é um grande retrato da minha vida, ele conta minha história por cerca de duas décadas então não dá para apagar da noite para o dia...

    Bom, mais uma vez eu agradeço sua companhia por mais um ano e desejo um grande 2026 para vocês! Vamos lá que o ano começou 🙏



segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Creepypasta: A Mulher Sem Expressão

 A Mulher Sem Expressão

    Fala pessoal, vamos para mais uma postagem? Como parte da idéia de revisitar textos antigos do blog, leia sobre clicando aqui, tenho passados boas horas revendo postagens separando aquelas que eu acho que merecem um tratamento mais atual e cuidadoso, e entre conteúdos antigos, suspensos e muitos outros que realmente não valem a pena tentar fazer algo por eles agora a creepypasta "A Mulher Sem Expressão", que na época coloquei o título apenas como "A Expessão" me chamou a atenção merecendo ser atualizada.

    Antes de começarmos, quero agradecer a vocês que estão acessando, lendo e enviando comentários. Obrigado de coração, isso me ajuda a manter a cabeça no lugar e a continuar levando o blog adiante mesmo com todas adversidades e dificuldades que a própria internet coloca para nós que somente sabemos contar histórias escritas, não somos exímios produtores de vídeos verticais e ainda por cima somos tímidos demais para aparecer em telas 😓. O apoio que aos poucos vou voltando a receber nos trabalhos do blog realmente fazem uma grande diferença na minha vida e, espero sinceramente que também possa fazer alguma diferença na vida de vocês.

    Bom, sem mais demora, vamos lá!


A Mulher Sem Expressão, Hospital Cedar-Senai - 1.972

    Em junho de 1972, uma mulher apareceu no Hospital Cedar-Senai, usando vestes brancas manchadas de sangue. Isso não era estranho para um hospital onde as pessoas davam entrada em condições extremas devido a acidentes, por exemplo. Porém, duas coisas teriam feito com que as pessoas que viram essa mulher sentissem desconforto, náuseas e uma grande necessidade de se afastar dela.

    A primeira é que ela não parecia exatamente humana. Ela se parecia com um manequim, mas tinha a fluidez de movimentos de um ser humano normal. Seu rosto era fiel às feições humanas, assim como um bom manequim, também como uma fiel boneca de cera a estranha figura que adentrara ao hospital não apresentava sobrancelhas e nem qualquer sinal ou marca de expressão. A segunda é que havia um pequeno filhote de gato preso em suas mandíbulas, tão fortemente apertado, que não se via nenhum dente enquanto o sangue ainda escorria do filhote para o vestido, enquanto atendentes do hospital ainda relutavam em se aproximar ela puxou o filhote para fora de sua boca e o jogou de lado desmaiando logo em seguida.

    Desde o momento em que entrou no hospital até ser levada para um quarto ela estava completamente calma, sem expressão e imóvel. Mesmo assim os médicos acharam melhor imobilizá-la até que a polícia, já aletada e chamada até o local, pudesse chegar. A equipe de atendimento do hospital não foi capaz de obter qualquer tipo de resposta da mulher e a maioria dos membros da equipe se sentia muito desconfortável em olhar diretamente para ela.

    Tão logo os enfermeiros a colocaram na cama e iniciaram o afivelar da imobilização ao leito, ela reagiu com uma força descomunal. Dois membros da equipe tiveram que segurá-la enquanto a mulher forçava o corpo para levantar-se mantendo no rosto a mesma expressão vazia. Enquanto enfermeiros tentavam conter a estranha figura, ela voltou a atenção para o que médico preparava uma sedação, sua face até então imóvel e sem expressão se contorceu e inesperadamente exibiu um sorriso, um sorriso perturbador que fazia com que ela parecesse ainda mais assustadora ao revelar seus dentes longos e pontiagudos como os de uma fera.

    Uma médica que acabara de entrar no quarto gritou aterrorizada prostrando-se em um canto, enquanto o restante da equipe vacilava no intento de manter a mulher imobilizada. O médico que estava pronto para aplicar a sedação, vendo o sorriso sádico de dentes afiados perguntou quase que de maneira retórica: “Que diabos é você?” Ela inclinou o pescoço para observá-lo, ainda sorrindo. Houve uma longa pausa, a segurança já alertada podia ser ouvida correndo pelo corredor.

    A mulher se lançou para frente, afundando os dentes na garganta do médico, dilacerando-a profundamente, todos se afastaram assustados enquanto o médico caia no chão engasgando-se com seu próprio sangue. Ela se levantou e inclinou sobre ele, aproximando seu rosto do dele, enquanto a vida do médico se esgotava em agonia. Então, com uma voz cavernosa ela disse como se estivesse respondendo à pergunta que o médico fizera segundos antes: “Eu…sou…Deus”. 

    Os olhos do médico se apagaram, sua agonia havia terminado. Amedrontados e encolhidos pelos cantos do quarto os membros da equipe médica observavam a mulher que calmamente se afastava indo de encontro aos seguranças... Nenhum desses seguranças sobreviveu. Uma das enfermeiras, mais tarde, durante seu depoimento às investigações, chamou aquela grotesca figura de “A Mulher Sem Expressão”, ela nunca mais foi vista.



Para ler a publicação original postada nesse blog em 2013, 👉 clique aqui 👈


Muito obrigado pela sua leitura, espero que tenha gostado 💀😊🙌


Fonte do texto e da Imagem: Internet
Edição e adaptação do texto: Vagner T. Firmino
Edição de imagens: Vagner T. Firmino

Todos os direitos de texto e imagem são reservados aos autores

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Conto: Os Pecados de Ashmouth

Os Pecados de Ashmouth


Os Pecados de Ashmouth


    Em Ashmouth, uma vila esquecida pelos mapas modernos, o luar mal iluminava as ruas de paralelepípedos cobertas de musgo. As vozes de seus habitantes sussurravam segredos nas soleiras das portas e janelas com a mesma devoção com a qual faziam suas preces mal compreendidas, dizia-se que, quando a neblina se erguia, algo perambulava pelos becos mais sujos e escuros: uma coisa informe, de olhos escuros e pés que deixavam rastros negros.

    Na taverna de pedras úmida e assoalho de madeira rangente, reuniam-se os mais célebres desocupados e desesperançosos homens do vilarejo, toda a enfadonha trupe de maltrapilhos se reunia ali todos os dias ouvindo as histórias sinistras do decadente Lorde Aldridge. Filho de ricos donos de terras produtoras de tabaco, o deserdado, endividado e quase desabrigado lorde vivia de embebedar-se e contar as histórias de maldição que ouvira de seus antepassados.

    Aldridge sussurrava sobre pecados enterrados sob as fundações da capela. Cada maledicência parecia despertar algo terrível além das paredes de pedra. Cada rito profano executado no passado pelos fundadores fazia os subterrâneos revolverem-se na ânsia de expelir um mal antigo há muito tempo envolvido no lodo das úmidas cavidades da terra sob Ashmouth. Aos fundos da capela abandonada, contava ele, no cemitério pantanoso e fétido onde ninguém ousa visitar as catacumbas, estava o resultado dos piores atos de Ashmouth, pronto para se erguer e cobrar a dívida moral de cada um dos desafortunados que não conseguiam sair daquele lugar...




   Ashmouth sobrevivia em meio ao medo do despertar iminente do caos, seus habitantes pouco falavam, a fé estava abandonada junto aos detritos e as moscas que infestavam as ruas insalubres do lugar. Todos os lugares eram quietos, as pessoas pouco falavam, mas quando o faziam era predominantemente por meio de sussurros e frases inacabadas. Aquela era a cidade no meio do nada, o lugar esquecido no fim-do-mundo.

   Foi esse cenário desolado e imundo que a jovem cartógrafa Elinor encontrou ao chegar no vilarejo para desenhar seus limites, cumprindo as ordens de seus superiores foi designada para onde nenhum outro cartógrafo Real quis ir. Com seus aparatos e os dedos sujos de tinta Elinor perambulava por todos os cantos e becos de Ashmouth conhecendo a decadência do lugar e indignando-se com as pessoas sujas e de andar arrastado.

    Na ânsia de ver-se livre logo daquele lugar, a cartógrafa seguia com os afazeres de seu expediente até as horas mais avançadas, e em uma dessas noites ela voltava com um tanto de aversão para a única estalagem do lugar, no andar de cima da taverna, onde ela já imaginava o repugnante Aldridge já entorpecido dirigindo gracejos a ela com o hálito fétido de bebidas baratas. Tendo consigo apenas uma lâmpada à óleo para iluminar seu retorno, era uma noite tão escura quanto fria e silenciosa, Elinor deparou-se com um rastro singular que pelo pouco que conseguia enxergar saia de um beco e seguia para outro. No mesmo instante deu-se conta que não havia mapeado ou anotado em seu livro aquela entrada estreita e deteriorada, seguindo então o rastro pelo caminho desconhecido a moça foi conduzida desavisadamente até o cemitério abandonado.

    Naquele lugar macabro a luz fraca que ela carregava não era capaz de vencer a densidade da escuridão e Elinor não pôde perceber as palavras profanas que ossos antigos e quebrados cuidadosamente dispostos formavam no solo, talvez tenha sido melhor assim... Certas palavras nem mesmo podem ser lidas sem expor um desavisado leitor aos perigos de obscuros ritos lúgubres. O vestido da jovem tremulava com o vento congelante enquanto ela tentava decidir se seguia em frente ou voltava, mas não teve tempo para a decisão. Logo ela percebeu vultos que se contorciam entre as lápides partidas, cada uma daquelas pedras mortuárias parecia exibir uma imagem embaçada e nevoeirenta enquanto as formas estranhas se contorciam ao redor delas chafurdando no solo lamacento.

   Ela teve a infelicidade de encontrar algo mais assustador e repugnante que aquilo tudo o que já havia presenciado, uma coisa mais asquerosa que aquelas pessoas que embebedavam-se, sussurravam e balbuciavam coisas estranhas sobre um passado remoto. Sem saber Elinor observava as sombras do início do despertar daquilo que os miseráveis habitantes de Ashmouth tanto temiam.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Aiko - Parte I: Infiltração

 Aiko - Parte I: Infiltração

Aiko

        Fala pessoal 😊

    Após um pequeno hiato não programado, mas previsível 😄 publico aqui a primeira parte da série de vídeos sobre a hacker cyberpunk Aiko.

    Não vou esticar muito o texto, mas antes de deixar o vídeo quero deixar um pedido para darem uma passada no Youtube e dar uma curtida no canal XDevil, eu agradeço 😁




sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Projeto: AIKO

 PROJETO: AIKO

AIKO


    Hoje eu trago para o blog a parte inicial de um conteúdo que tem consumido muito das minhas poucas horas 👀, tudo deu um trabalho imenso e muito desse trabalho foi dedicado a aprender a usas novas ferramentas de imagem e à adaptação do texto ao que eu sou visualmente capaz de criar por enquanto...

    Enfim, estou muito feliz em poder compartilhar esse novo trabalhos com vocês! Ah, como poderão ver, esse é vídeo nº 0 do conteúdo, é um vídeo de divulgação que também pode ser assistido no meu canal do Youtube. Se puder, passa por lá para dar uma força no canal 😉

    Espero que gostem da história de AIKO e sua luta para recuperar Neon-City 01 do controle da NeoCorp. Acompanhem para não perder os capítulos.

    Muito obrigado!





sábado, 1 de novembro de 2025

VÍDEO: Oculto e Sobrenatural - Quatro Histórias Inexplicáveis

Oculto e Sobrenatural - Quatro Histórias Inexplicáveis

OCULTO E SOBRENATURAL

        Essa postagem é para mostrar para vocês a publicação do meu livro que está disponível na Amazon em versão digital, para Kindle e dispositivos móveis com o aplicativo Kindle instalado e versão impressa. O livro reúne de quatro contos escritos por mim, são eles:

  • De Dentro da Terra: Um ex-policial atua como um detetive particular para resolver uma situação que parecia simples em sua nova vizinhança, mas surpreende-se com um mistério abissal que desafia todas as suas crenças, sua sanidade e abala toda sua vida.

  • Invasor Invisível – O Desaparecimento de Brianne Sullivan: Um estranho invasor, o breve relato de uma garotinha sobre uma estranha figura a observá-la e um desaparecimento. Uma sequência de acontecimentos insólitos que destruíram a vida de uma família. Estariam estes eventos estranhos ligados entre si?

  • Na Companhia de Margot: A solidão na vida, a solidão na morte… Uma solitária aparição parece acompanhar diferentes famílias durante séculos.

  • Pesadelos: Sonhos desagradáveis, sonhos ruins, pesadelos recorrentes dos quais não temos certeza se conseguimos acordar ou se ainda estamos presos dentro deles. Meta-sono, pesadelos dentro de pesadelos sem nunca acordar.


        Você pode adquirir o livro clicando AQUI, ou no banner lateral da página principal do blog. Nos dois casos você será redirecionado para a página da Amazon.

        Agora deixo para vocês um dos vídeos de divulgação do livro, espero que gostem 😉


        Você também pode assistir o vídeo diretamente no Youtube, basta clicar AQUI







quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Esclarecimentos e novos textos

Moderno Bestiário
Moderno Bestiário

 Esclarecimentos e novos textos


            Bom, mais uma vez vamos aos esclarecimentos e às mudanças ...

    Faz um bom tempo que não há novas postagens no blog, mas ele não está abandonado, estou sempre verificando comentários, acessos e mensagens. Posso não estar postando na frequência que gostaria, mas estou sempre por aqui mesmo tendo dedicado o último ano para testar novas formas de criação e de postagem de conteúdo.

    Considerando a limitação de trabalhar sozinho em todos os projetos cheguei à conclusão que manter tudo centralizado aqui mesmo é o mais inteligente e saudável para mim nesse momento. Por isso, vamos a algumas mudanças simples para organizar melhor minha vida por aqui e aumentar seu nível de experiência e imersão nesse trabalho que adoro muito fazer e manter nesse blog é algo que está ligado à minha história pessoal.

    Dito isso, vamos lá:

    Deste ponto para baixo, ou seja, desta postagem para as mais antigas, estão publicados materiais de uma fase mais ‘perdia’ do blog. Muito material foi convertido para rascunho para ser retrabalhado, mas não tenho data para que a republicação desse conteúdo. O restante do material que está disponível abaixo dessa postagem, ou seja, aquilo que não foi convertido em rascunho e suspenso do blog, será reescrito e retrabalhado ainda que versões antigas estejam disponíveis para leitura. A meta para isso é não ter meta 😊

    Enfim, o importante é que o blog voltará a ter atualizações constantes, principalmente de contos e histórias de minha autoria, as creepypastas e os “Casos Estranhos” serão gradualmente movidos para meu segundo blog o SUPER SPOOKY, que você pode acessar aqui ou clicando no banner lateral que está na página principal. Esse blog também voltará a receber novos conteúdos regularmente.

    Novas ilustrações para o blog e para os textos estão sendo desenvolvidas para melhorar a imersão nas histórias e serão incluídas tanto nos novos conteúdos, quanto nas republicações de conteúdos antigos. Alguns conteúdos específicos terão elementos em vídeo ou animação, esses conteúdos específicos estarão disponíveis aqui e logo estarão também no canal XDevil no YouTube, o link para esse tipo de conteúdo sempre estará na própria postagem.

    Um projeto de apoio é a publicação de coletâneas de contos e outras histórias em formato digital para Kindle e dispositivos móveis que tenham o App Kindle instalado. A primeira coletânea foi “Oculto e Sobrenatural – Quatro histórias Inexplicáveis”, clique aqui, ou no título para visitar a página da coletânea na Amazon.

    Se for do seu interesse e quiser dar uma força para o meu trabalho, as coletâneas digitais possuem um valor muito acessível e adquirindo e divulgando você me ajudará muito a continuar com esse trabalho. Também, se for do seu interesse ajudar os projetos, pode fazer uma contribuição de qualquer valor através da Chave PIX atristefigura@gmail.com (Nubank), fazendo a contribuição PIX, se quiser que seu nome apareça no blog como colaborador, envie o comprovante, seu nome e/ou pseudônimo para o e-mail atristefigura@gmail.com  e será incluído em um quadro lateral com destaque para os colaboradores.

    Bem, acho que isso define o principal das mudanças por aqui. Espero que continuem gostando, acessando lendo e interagindo. Obrigado pelo acesso e interação nesses 15 anos de Moderno Bestiário.


terça-feira, 8 de outubro de 2024

CASOS ESTRANHOS: INVASOR INVISÍVEL - O Desaparecimento de Brianne Sullivan


 

Um estranho invasor, o breve relato de uma garotinha sobre uma estranha figura a observá-la e um desaparecimento. Uma sequencia de acontecimentos insólitos que destruíram a vida de uma família. Estariam estes eventos estranhos ligados entre si?



INVASOR INVISÍVEL

O Desaparecimento de Brianne Sullivan

 

            Em busca por respostas sobre o que aconteceu comigo e com minha família, tenho dedicado tempo pesquisando similaridades e pistas que possam esclarecer ao menos parte do que aconteceu conosco. Nestas pesquisas foi inevitável, diante da natureza insólita do ocorrido, que eu acabasse me deparando com sites e comunidades na internet sobre paranormalidade e sobrenatural, não é desconhecido que a internet é rica em relatos fantásticos e em todo tipo de teorias da conspiração, mas era a única via que me restava. Eu encontrei diversos relatos, de diversas fontes, que ao final sempre conduziam as pessoas para um final trágico e traumático... Bem, até agora esta foi a única semelhança com meu caso.

Escreverei este relato da maneira mais simples que eu conseguir, acreditando que assim, atentando somente aos fatos e explicando-os, o caso possa ser levando mais a sério e não terminar somente como mais uma ‘creepypasta’ na internet. Uma pequena frase dita pela minha irmãzinha durante o tenso acontecimento pode levar você a ligar o caso que relatarei ao mito sobre o “Homem Esguio”, mas espero que perceba que isso pode ser apenas uma mínima semelhança já que o que aconteceu conosco possui muitos outros elementos que divergem dos muitos relatos que povoam a internet.

Nosso pesadelo teve início quando eu tinha 10 anos de idade, minha irmãzinha tinha apenas 4 aninhos, minha mãe estava chegando aos 40 anos e minha avó, a quem visitávamos todas as férias escolares, tinha 70 anos e era muito lúcida e ativa. Dou ênfase às idades e às condições de cada um de nós para que possam perceber que minha irmã e eu estávamos acompanhados por adultos lúcidos e ativos com idades não muito avançadas para serem considerados senis.

Durante nossas férias na casa de nossa avó também sempre estava conosco tio Steve, um homem jovem, também lúcido e ativo, um caçador bem conhecido pelos locais e dotado de um censo prático difícil de encontrar nos dias de hoje. Tio Steve era irmão de minha mãe, apenas três anos mais novo que ela e também foi uma testemunha do ocorrido e sofreu com os sentimentos traumáticos até o fim de sua vida.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

CONTO: DE DENTRO DA TERRA


DE DENTRO DA TERRA


            O lugar todo estava em ruínas e tudo por ali cheirava como um poço de lodo, com certeza há muito tempo ninguém cruzava aquele gramado alto, tomado por ervas daninhas e empoçado de lama, para chegar até a estufada porta de madeira da entrada. Os vizinhos afirmavam que nunca viram alguém entrando, mas era comum avistar pessoas saindo, eles deviam saber o que estavam dizendo, com certeza vigiavam o casebre dia e noite, assim como vigiavam a vida uns dos outros.

            Primeiro ouvi as histórias, relatos até então tidos como exagerados e fantasiosos, mas todas as histórias tinham um ponto em comum: Ninguém entrava, mas pessoas saíam. Pelo que contavam, havia época de maior e época de menor movimento, mas recentemente não havia movimento algum, apenas podia-se ouvir em estranhas horas da madrugada barulhos de líquidos como se despejados de uma grande altura e um dos vizinhos alegava que em alguns destes momentos era possível observar, através das frestas das janelas de madeira apodrecida, o movimento de uma luz fraca perambulando lá dentro.

            Ninguém sabia identificar o dono do casebre e nem puderam entrar em um consenso sobre quando aquela estranha atividade teve início, quanto às pessoas que saíam todos eles afirmavam convictos que eram todos altos, pálidos, cambaleantes e maltrapilhos, a maioria deles seminu. Por mais fantasiosa e espalhafatosa que a história parecia ser naquele momento, seria necessário verificar, a expansão da cidade estava espremendo os tipos mais estranhos para os bairros mais silenciosos causando problemas e situações que pessoas como aquelas da vizinhança não estavam acostumadas a lidar.

Então, sob o olhar dos curiosos segui até a casa, venci o gramado alto pisando em várias poças de lama até atingir a porta. Bati e aguardei alguns segundos, como já esperava, não obtive resposta. Passei a sondar as janelas, mas mesmo com frestas e falhas causadas pelo apodrecimento das madeiras a escuridão do interior impedia divisar qualquer coisa. Dei a volta pelo terreno lamacento onde a pequena propriedade abandonada estava praticamente afundando, minha intenção era buscar por uma porta nos fundos, como era comum naquele tipo de construção, encontrei, mas ela estava bloqueada por fora por madeiras pregadas toscamente, montes de terra e detritos de pedra e madeira carcomida pela podridão.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

CONTO: PESADELOS


PESADELOS

Eu estava deitado, sonolento e sentindo vertigens, mas pude perceber um homem ao lado da minha cama sussurrando para outra pessoa sobre mim, eu não conseguia perceber a presença de mais ninguém no quarto. O homem falava sobre como eu reagiria se um dia pudesse acordar e como tudo o que aconteceu estava diretamente ligado à minha personalidade. Quanto mais eu tentava prestar atenção menor era a minha compreensão sobre o que aquele homem corpulento e barbado estava falando, eu não sabia que lugar era aquele e, principalmente, o que tinha acontecido comigo.

Tentei me mexer e levantar da cama, não sentia que estava preso ou amarrado, mas era impossível qualquer movimento, me dei conta de que talvez eu tivesse sofrido algum acidente e estivesse paralisado. Eu estava preso em mim mesmo! Eu queria falar, mas minha língua e minha boca permaneciam imóveis, em desespero tentava gritar, mas nenhum som saía pela minha garganta. Preso em mim mesmo!

         O homem continuava falando sobre mim e embora sua voz fosse sussurrada ele parecia dar pouca importância para mim, parecia estar falando baixo não por minha causa, mas sim porque seus ouvintes exigiam cerimônia para ouvirem sobre aquilo. Tentei então fazer sinais com os olhos, pois me pareciam vivos ainda, mas nem o homem e nem os ouvintes perceberam.

        Aos poucos comecei a perceber que o homem estava informando um relatório sobre meu caso, pude compreender poucas coisas, pois sua linguagem ficava cada vez mais indecifrável, mas ao final do diagnóstico que ele estava recitando eu senti um medo terrível, pois percebi que ele olhou diretamente para mim e disse em um tom de voz um pouco mais alto, mas ainda solene, que eu não esboçava nenhuma reação há 15 anos e nem mesmo era capaz de abrir os olhos. Como poderia ser? Eu estava ouvindo e enxergando tudo!

          Em meio a tudo aquilo eu comecei a me senti muito cansado e com muito sono, eu não queria dormir novamente, mas fui dominado por um torpor profundo. Tentei agitar o corpo uma última vez para chamar a atenção daquelas pessoas e em um último esforço tentei rolar meu corpo para fora da cama. O quarto escureceu e eu caí em um abismo profundo, senti muito medo e mais uma vez fiz esforço para gritar, a voz finalmente saiu de minha garganta, mas totalmente incompreensível e abafada como se minha boca estivesse coberta por mãos muito fortes, em desespero eu afundei na escuridão do abismo. Acordei em sobressalto quando estava prestes a atingir as profundezas abissais.

sábado, 17 de setembro de 2022

CONTO: SOMBRA GELADA


 

SOMBRA GELADA


          Da cama pude ver a sombra, como uma fumaça entrando por debaixo da porta, eu não senti medo, mas seria melhor se tivesse fugido. Rapidamente o quarto ficou tomado e eu pude sentir um estranho toque gelado envolvendo meu corpo, era a sombra que depois subiu e ficou pairando junto ao teto me observando.

         Houve então um estalo dentro de mim que me fez perceber como tudo o que estava acontecendo era aterrador, tentei sair da cama e correr para fora do quarto, mas não tive tempo, pois a sombra desceu do teto e se transformou em um medonho gigante bloqueando a saída. Tentei gritar por socorro e a mão gigantesca da figura escurecida encontrou minha boca e tapou-a.

         Com a respiração ofegante eu sem querer inalava aquilo para dentro de mim e aos poucos também fui me transformando em sombra, meu corpo se desmanchava, mas eu não sentia dor alguma. Quando restava pouco mim flutuando no ar a sombra nevoeirenta e gelada que antes era um monstro envolveu-me, e todo o meu eu tornou-se uma parte daquilo e juntos saímos por debaixo da porta.



Autor: Vagner Tadeu Firmino

A Triste Figura

Publicado em: Moderno Bestiário Urbano

Texto e imagem: Todos os direitos reservados

Contato: atristefigura@gmail.com


Obrigado pela sua leitura, espero que tenha gostado.

domingo, 4 de setembro de 2022

CONTO: AUTÔMATO

 


AUTÔMATO 

            Os dias anteriores haviam sido chuvosos, mas agora o tempo estava aberto e todos estavam sofrendo com o calor e a poluição. Alex caminhava pelas ruas do centro apinhadas de gente e assim como as demais pessoas, ele tinha o semblante preocupado e os passos apressados, mas a preocupação e a pressa de Alex, ao menos daquela vez, era diferente da que assolava aos demais, seus pensamentos estavam divididos entre o volume que carregava debaixo do casaco e a descoberta inquietante da noite anterior.

“Hoje não é apenas mais um dia comum”, pensava consigo mesmo. Durante a noite anterior o jovem contabilista, sozinho, teve uma revelação que transformou todos os seus pensamentos, indignado com a cegueira sobre si mesmo e excitado com toda a verdade descoberta, Alex percebeu o que ele realmente era e não se sentiu estranho ou espantado com aquilo apenas experimentou de uma necessidade incontrolável de revelar aos outros a verdade.

            “Eu rasgarei o véu, eu mostrarei a todos do que sou feito e literalmente eles poderão ver...”. Pensou um pouco e continuou: “Libertarei todos das mentiras, devem existir outros como eu!”, pensava com orgulho, “Nunca mais me enganarão, nunca mais nos enganarão”. As conjecturas de Alex atingiram níveis incompreensíveis mesclando ansiedade e euforia quando chegou ao prédio de escritórios onde trabalhava. Entrou sozinho no elevador e tirou o casaco, o objeto que carregava ficou exposto e Alex o olhou com uma cumplicidade de irmão.

            Entrou abruptamente no escritório bloqueando a porta, que também era a única saída, assustados seus colegas o viram de arma em punho e começaram a gritar e se esconder, Alex sorria abertamente enquanto apontava a grande arma para a própria cabeça enquanto bradava: “Eu descobri a verdade sobre o que eu realmente sou, vim até aqui para que vocês possam saber também e, um dia certamente, descobrir que talvez vocês sejam iguais a mim!”.

Sua fala atingiu um tom profético e solene enquanto desenvolvia seu discurso final reticente: “Talvez, alguns de vocês também sejam como eu... Eu não sou humano, eu sou uma espécie de monstro, um tipo oculto de parafernália... Uma traquitana ainda não explicada sendo desvelada frente seus olhos. Acredito que assim como eu existo, devem existir muitos outros como eu”. Ele parou por um instante procurando os olhos das pessoas desesperadas dentro da sala, mas ninguém olhava diretamente para ele, todos estavam assustados e encolhidos pelos cantos, debaixo das mesas ou abrigados atrás de divisórias desgastadas.

Alex sorriu e, como era de seu costume, se desculpou por toda agitação que havia causado e fechando os olhos disparou a arma contra a própria cabeça.

Depois do estampido do revólver houve silêncio, aos poucos as pessoas foram se aproximando do corpo caído que bloqueava a porta. Do buraco aberto pelo projétil não saía sangue algum, havia apenas um fluído cinzento, óleo e uma profusão de minúsculas engrenagens e finas correntes.



Autor: Vagner Tadeu Firmino

A Triste Figura

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Fonte das Imagens: Internet.