Aproveitando a sexta-feira 13, quero postar aqui para vocês uma historinha. Hoje vamos de um conto mais curtinho de horror para comemorar a primeira sexta-feira 13 do ano.
Espero que gostem e já deixo aqui meu agradecimento por continuarem acompanhando o blog 👊 Falouuu 😛
O vento úmido e
desconfortavelmente morno do entardecer trazia consigo o cheiro de terra
revirada e decomposição, enquanto chacoalhava as últimas folhas resistentes ao
fim da estação, que insistiam em se prender aos galhos secos como os dedos de
um cadáver. De uma reentrância carcomida em uma cripta próxima, uma ave de
plumagem cor de piche emitia um grasnado lugente, parecendo capaz de amedrontar
até os mortos.
A alguns metros dali,
sob a luz doentia do crepúsculo, um homem magro trabalhava. Um cigarro apagado
pendia no canto de seus lábios finos, quase fundindo-se à palidez de sua pele, ele
golpeava o solo encharcado com uma velha pá de ferro, o som do metal cortando a
terra era o único ritmo daquele lugar esquecido. Ali,
ele preparava a ultima morada de alguém em um esforço silencioso e rítmico,
quase uma prece.
Observei-o com uma
curiosidade mórbida. Seria aquela a minha cova? O pensamento não me trouxe
medo, apenas uma dúvida melancólica enquanto as dimensões pareciam ficar cada
vez mais exatas para o meu repouso.
De repente, o frio.
Uma mão gélida e de textura pegajosa apertou meu braço com uma força
surpreendente, o choque térmico me trouxe a lucidez num estalo e um reconhecimento amargo: Era nossa morada que estava sendo aberta... Era
dele e minha.
Minha mente havia
pregado uma peça, perdendo-se em devaneios enquanto o corpo repetia o movimento
mecânico. Recuperei o fôlego e senti o peso do cabo de madeira em minhas palmas
calejadas. O esforço físico era real: o suor escorria por minhas têmporas, misturando-se
à umidade do ar. Fui eu quem cavou cada centímetro daquele buraco.
Mas então, quem teria
me tocado o braço agora há pouco?
Lentamente, desviei o
olhar da vala e olhei para o lado. A percepção me atingiu como um golpe de pá
no peito. Ali, ao lado da vala, minha própria alma
assistia ao meu corpo decadente expressando uma piedade infinita.
Éramos dois fragmentos de uma mesma
existência azíaga: um que ainda sentia o peso do ferro e o frio da chuva, e
outro que, já desprendido da carne cansada
que ainda insistia em trabalhar, observava o próprio
sepultamento. Assistia de fora o
esforço inútil de enterrar a si mesmo.
Eu não era apenas o
coveiro, eu era o espectador de minha própria condenação; eu era o braço que
cavava, a mão que tocava e os olhos que tudo viam, eu
era o coveiro e o defunto. Ao mesmo tempo eu era o carrasco e a vítima da
própria brevidade abrindo com as mãos firmes o solo que, em breve, abraçaria
meu último suspiro de melancolia dividido
entre o terra úmida e a eternidade cinzenta.
Faz bastante tempo que
não falo de séries por aqui e como estou avaliando os novos conteúdos que farão
parte do novo site (postagem sobre Novos Rumos), estava procurando uma série que me fizesse vontade de escrever sobre,
e somente aí percebi como faz tempo que nada de bom acontece para meu gosto em
séries...
Não é que eu seja tão
exigente ou seletivo assim, eu gosto de bastante porcaria mesmo 😝, mas nem assim algo estava chamando minha atenção. Nem mesmo a temporada final de
Stranger Things despertou grande interesse, claro que eu queria ver e finalizar
de vez a série que durante três temporadas foi minha favorita de todos os
tempos, mas nada desesperador. Ainda bem, pois mesmo que eu tenha mais gostado do que
desgostado, a decepção foi inevitável.
Poster Season 5 - Fonte: Divulgação
Eu entendo que a época
é outra, que aquela ‘novidade de coisas velhas’ trazidas pela primeira
temporada já passou e que a memória afetiva geralmente nos prega peças deixando
as coisas muito melhores na lembrança do que realmente eram, mas a degringolada
galopante da decadência das duas últimas temporadas era gritante demais... Já na
quarta temporada era visível que a turminha mais amada de Hawkins não estava
mais curtindo aquilo tudo (na verdade isso já dava para começar a perceber na
terceira temporada). A quinta temporada foi a grande demonstração de que tudo
estava sendo feito pela obrigação e pelo capital.
Não vou ficar
criticando interpretação de um ou de outro, cara, essa realmente não é minha
intenção, mas é impossível não perceber a má vontade de grande parte do elenco
em boa parte dessa última temporada, a turma já não estava mais tão legal assim
e a falta de sinergia foi escancarada entre eles. Durante os
episódios eu não conseguia deixar de pensar no Harrison Ford e sua visível má
vontade em fazer Han Solo ou Indiana Jones nos últimos filmes, estar em um
lugar por pura obrigação ou necessidade é realmente horrível. Participar de
algo sem curtir é literalmente o fim.
Bem, vamos voltar ao
que me chamou a atenção para escrever: As Histórias de 85
Não dá negar que
Stranger Things foi o fenômeno que redefiniu a nostalgia e parte da estética de
suspense na última década e agora está prestes a nos dar um ‘novo capítulo’: A
Netflix anunciou oficialmente a estreia de Stranger Things: Tales From ’85,
será uma série animada que expande o universo criado pelos irmãos Duffer, e
terá estreia em 23 de abril de 2026.
A animação tentará resolver o problema da Netflix em
relação ao envelhecimento e má vontade do elenco (😜), mas ao mesmo tempo pode criar ao menos mais um problema gerando furos no rolê principal da série.
Por exemplo, já sabemos que haverá ao menos uma nova personagem ao lado de El e
sua galerinha, mas como será explicada sua aparição e principalmente seu sumiço
quando o rolê da animação emendar com o rolê da série principal é algo que já
começa a trazer preocupações.
Falando da nova
personagem, ela será Nikki Baxter e foi descrita como como uma
"inventora" de moicano rosa, que promete ser fundamental na luta
contra as ameaças que emergem do solo congelado.
E isso nos leva ao
período em que a animação se passará:
O Retorno ao Inverno de 1985
A série animada
funcionará como uma "história não contada" e estará situada em um
momento crucial da cronologia original: o inverno de 1985. Sendo assim já
percebemos que os eventos ocorrem no intervalo entre a 2ª e a 3ª temporada,
logo após a galerinha ter fechado o portal do Mundo Invertido, mas antes da
inauguração do Shopping Starcourt.
Fonte: Divulgação
Nesse período, Hawkins
está sob um inverno rigoroso, e os heróis — Eleven, Mike, Will, Dustin, Lucas e
Max — tentam uma “vida normal" entre sessões de Dungeons & Dragons
e batalhas de bolas de neve. No entanto, como bem sabemos pelos eventos gerais
da série original, a calmaria em Hawkins é sempre o prenúncio de uma tempestade
paranormal. Algo terrível desperta sob o gelo.
Originalmente, os
irmãos Duffer imaginaram o projeto com um estilo "desenhos de sábado de
manhã" dos anos 80, como He-Man (um ótimo exemplo sobre como a
memória afetiva deixa as coisas melhores do que realmente eram) e Scooby-Doo.
Entretanto, durante o desenvolvimento liderado pelo showrunner Eric Robles,
a equipe percebeu que o tom de Stranger Things exigia algo menos doce e
inocente, Stranger Things deve ter boas doses de peso chegando muito perto de
ser viceral. Criou-se então uma animação em CG de alta qualidade com um toque
estilizado, inspirado na arte de Meybis Ruiz Cruz (ArtStation dela aqui). Segundo as declarações, os
personagens manterão suas características icônicas, mas ganharão uma expressividade
(galera, sem maldade) que permitirá explorar temas sombrios e perigos reais —
afinal, a série já avisou: neste novo formato, nem todos podem sobreviver.
Vale dizer que os
atores originais não foram chamados para dublar suas versões animadas, ainda
não sei dizer se isso será bom ou ruim, apenas posso dizer que nesse momento
isso não está me importando.
Blz, mas e aí? Vai
valer a pena? Bom, aí somente o
tempo para dizer. Honestamente eu espero que seja legal, vou assistir esperando
me divertir e sem esperar grande impacto, aprendi que com a produção de
conteúdo visual atual, manter altas expectativas pode destruir a experiência final.
Você pode não ter
gostado das três últimas temporadas, ou das duas últimas como é o meu caso, mas
temos que concordar que quando estreou em 2016, Stranger Things não foi
apenas mais uma série pretenciosa na Netflix; foi uma declaração de amor ao
cinema de Spielberg, Stephen King e John Carpenter. A série resgatou de maneira
carinhosa e nostálgica, para velhinhos como eu, a estética dos anos 80 — dos walkie-talkies
às bicicletas BMX, passando pelos grupinhos de amigos jogando RPG, indo a
fliperamas e videolocadoras — e transformou o "Mundo Invertido" em um
conceito cultural onipresente.
Mais do que monstros
de CGI (como o Demogorgon ou o Devorador de Mentes), a força da série, mesmo
que perdida nos últimos anos, sempre esteve na dinâmica de grupo e no
crescimento emocional de Eleven e seus amigos. A animação pretende capturar
justamente essa essência: o poder da amizade contra o desconhecido, mantendo
viva a chama de uma franquia que se tornou o maior pilar da Netflix.
Então, preparem seus Eggos,
sincronizem seus relógios e sintonizem seus rádios. O inverno em Hawkins está
chegando, e desta vez, o mistério ganha cores e traços que prometem honrar cada
segundo da jornada original.
E aí, qual sua opinião
sobre Stranger Things e essa nova animação? Deixa seu comentário. Se gostou,
considere compartilhar a postagem para dar aquela moralzinha ao canal.
Sei que estou um pouco
atrasado na postagem (Se é que isso é novidade rsrs), mas eu não posso deixar
de desejar um Feliz 2026 para vocês, e de agradecer por estarem junto com comigo
nesse blog mesmo com todos os problemas que tenho enfrentado nos últimos anos e a baixa quantidade de conteúdo novo...
Desde minha última postagem percebi que os acessos ao blog
aumentaram e isso é uma grande vitória, pois é um trabalho que está na
contramão da realidade da internet hoje, mas esse será o assunto de uma
postagem em breve.
Agradeço muito o
acesso e o apoio de vocês, muito obrigado!
2025 foi o ano que
resolvi desenhar alguns planos para retomar o blog, depois de um período muito
difícil que iniciou com a pandemia no final de 2019 que tornou todo
o processo pelo que passei ainda mais difícil, mas apesar de tudo e da torcida
contrária, veja só, eu consegui. Quem diria, não é mesmo? 😃
Neste ano a frequência
de postagens aumenta, tenho uma boa quantidade de material já produzido e
algumas ideias sobre novos temas. E é aí que uma mudança fundamental começa: A
migração de plataforma.
Sim, galera. Mudaremos
de plataforma em breve, a nova plataforma será capaz de abranger um trabalho
maior e com mais suporte para a utilização de outras mídias. O Blogspot foi bom
para mim durante todos esses anos e sempre conseguiu me entregar tudo o que
estava dentro do escopo do que eu estava apto a fazer, mas agora eu preciso
de algo um pouco maior e mais abrangente, por isso teremos dentro de alguns
meses uma nova casa, um novo domínio e novos conteúdos.
Mas tranquilo, você
será notificado com antecedência e todos os avisos e novidades serão postados
aqui primeiro. Não pretendo tirar o MB do ar, ele vai continuar aqui e ainda por
bastante tempo será a ponte entre os trabalhos mais antigos e os novos. Esse
blog tem muita história, é um grande retrato da minha vida, ele conta minha
história por cerca de duas décadas então não dá para apagar da noite para o
dia...
Bom, mais uma vez eu
agradeço sua companhia por mais um ano e desejo um grande 2026 para vocês! Vamos
lá que o ano começou 🙏
Fala pessoal, vamos para mais uma postagem? Como parte da idéia de revisitar textos antigos do blog, leia sobre clicando aqui, tenho passados boas horas revendo postagens separando aquelas que eu acho que merecem um tratamento mais atual e cuidadoso, e entre conteúdos antigos, suspensos e muitos outros que realmente não valem a pena tentar fazer algo por eles agora a creepypasta "A Mulher Sem Expressão", que na época coloquei o título apenas como "A Expessão" me chamou a atenção merecendo ser atualizada.
Antes de começarmos, quero agradecer a vocês que estão acessando, lendo e enviando comentários. Obrigado de coração, isso me ajuda a manter a cabeça no lugar e a continuar levando o blog adiante mesmo com todas adversidades e dificuldades que a própria internet coloca para nós que somente sabemos contar histórias escritas, não somos exímios produtores de vídeos verticais e ainda por cima somos tímidos demais para aparecer em telas 😓. O apoio que aos poucos vou voltando a receber nos trabalhos do blog realmente fazem uma grande diferença na minha vida e, espero sinceramente que também possa fazer alguma diferença na vida de vocês.
Bom, sem mais demora, vamos lá!
A Mulher Sem Expressão, Hospital Cedar-Senai - 1.972
Em junho de 1972, uma
mulher apareceu no Hospital Cedar-Senai, usando vestes brancas manchadas de
sangue. Isso não era estranho para um hospital onde as pessoas davam entrada em
condições extremas devido a acidentes, por exemplo. Porém, duas coisas teriam
feito com que as pessoas que viram essa mulher sentissem desconforto, náuseas e
uma grande necessidade de se afastar dela.
A primeira é que ela
não parecia exatamente humana. Ela se parecia com um manequim, mas tinha a fluidez
de movimentos de um ser humano normal. Seu rosto era fiel às feições humanas,
assim como um bom manequim, também como uma fiel boneca de cera a estranha
figura que adentrara ao hospital não apresentava sobrancelhas e nem qualquer
sinal ou marca de expressão. A segunda é que havia um pequeno filhote de gato
preso em suas mandíbulas, tão fortemente apertado, que não se via nenhum dente
enquanto o sangue ainda escorria do filhote para o vestido, enquanto atendentes
do hospital ainda relutavam em se aproximar ela puxou o filhote para fora de
sua boca e o jogou de lado desmaiando logo em seguida.
Desde o momento em que
entrou no hospital até ser levada para um quarto ela estava completamente
calma, sem expressão e imóvel. Mesmo assim os médicos acharam melhor
imobilizá-la até que a polícia, já aletada e chamada até o local, pudesse
chegar. A equipe de atendimento do hospital não foi capaz de obter qualquer
tipo de resposta da mulher e a maioria dos membros da equipe se sentia muito
desconfortável em olhar diretamente para ela.
Tão logo os
enfermeiros a colocaram na cama e iniciaram o afivelar da imobilização ao leito,
ela reagiu com uma força descomunal. Dois membros da equipe tiveram que
segurá-la enquanto a mulher forçava o corpo para levantar-se mantendo no rosto a
mesma expressão vazia. Enquanto enfermeiros tentavam conter a estranha figura,
ela voltou a atenção para o que médico preparava uma sedação, sua face até
então imóvel e sem expressão se contorceu e inesperadamente exibiu um sorriso,
um sorriso perturbador que fazia com que ela parecesse ainda mais assustadora
ao revelar seus dentes longos e pontiagudos como os de uma fera.
Uma médica que acabara
de entrar no quarto gritou aterrorizada prostrando-se em um canto, enquanto o
restante da equipe vacilava no intento de manter a mulher imobilizada. O médico
que estava pronto para aplicar a sedação, vendo o sorriso sádico de dentes
afiados perguntou quase que de maneira retórica: “Que diabos é você?” Ela
inclinou o pescoço para observá-lo, ainda sorrindo. Houve uma longa pausa, a
segurança já alertada podia ser ouvida correndo pelo corredor.
A mulher se lançou
para frente, afundando os dentes na garganta do médico, dilacerando-a
profundamente, todos se afastaram assustados enquanto o médico caia no chão engasgando-se
com seu próprio sangue. Ela se levantou e inclinou sobre ele, aproximando seu
rosto do dele, enquanto a vida do médico se esgotava em agonia. Então, com uma
voz cavernosa ela disse como se estivesse respondendo à pergunta que o médico
fizera segundos antes: “Eu…sou…Deus”.
Os olhos do médico se apagaram,
sua agonia havia terminado. Amedrontados e encolhidos pelos cantos do quarto os
membros da equipe médica observavam a mulher que calmamente se afastava indo de
encontro aos seguranças... Nenhum desses seguranças sobreviveu. Uma das enfermeiras, mais
tarde, durante seu depoimento às investigações, chamou aquela grotesca figura de
“A Mulher Sem Expressão”, ela nunca mais foi vista.
Para ler a publicação original postada nesse blog em 2013, 👉 clique aqui 👈
Muito obrigado pela sua leitura, espero que tenha gostado 💀😊🙌
Fonte do texto e da Imagem: Internet
Edição e adaptação do texto: Vagner T. Firmino
Edição de imagens: Vagner T. Firmino
Todos os direitos de texto e imagem são reservados aos autores
Em
Ashmouth, uma vila esquecida pelos mapas modernos, o luar mal iluminava as ruas
de paralelepípedos cobertas de musgo. As vozes de seus habitantes sussurravam
segredos nas soleiras das portas e janelas com a mesma devoção com a qual
faziam suas preces mal compreendidas, dizia-se que, quando a neblina se erguia,
algo perambulava pelos becos mais sujos e escuros: uma coisa informe, de olhos escuros
e pés que deixavam rastros negros.
Na taverna
de pedras úmida e assoalho de madeira rangente, reuniam-se os mais célebres
desocupados e desesperançosos homens do vilarejo, toda a enfadonha trupe de
maltrapilhos se reunia ali todos os dias ouvindo as histórias sinistras do
decadente Lorde Aldridge. Filho de ricos donos de terras produtoras de tabaco,
o deserdado, endividado e quase desabrigado lorde vivia de embebedar-se e contar
as histórias de maldição que ouvira de seus antepassados.
Aldridge sussurrava
sobre pecados enterrados sob as fundações da capela. Cada maledicência parecia
despertar algo terrível além das paredes de pedra. Cada rito profano executado
no passado pelos fundadores fazia os subterrâneos revolverem-se na ânsia de
expelir um mal antigo há muito tempo envolvido no lodo das úmidas cavidades da
terra sob Ashmouth. Aos fundos da capela abandonada, contava ele, no cemitério
pantanoso e fétido onde ninguém ousa visitar as catacumbas, estava o resultado dos
piores atos de Ashmouth, pronto para se erguer e cobrar a dívida moral de cada
um dos desafortunados que não conseguiam sair daquele lugar...
Ashmouth
sobrevivia em meio ao medo do despertar iminente do caos, seus habitantes pouco
falavam, a fé estava abandonada junto aos detritos e as moscas que infestavam
as ruas insalubres do lugar. Todos os lugares eram quietos, as pessoas pouco
falavam, mas quando o faziam era predominantemente por meio de sussurros e
frases inacabadas. Aquela era a cidade no meio do nada, o lugar esquecido no
fim-do-mundo.
Foi esse
cenário desolado e imundo que a jovem cartógrafa Elinor encontrou ao chegar no vilarejo
para desenhar seus limites, cumprindo as ordens de seus superiores foi
designada para onde nenhum outro cartógrafo Real quis ir. Com seus aparatos e
os dedos sujos de tinta Elinor perambulava por todos os cantos e becos de
Ashmouth conhecendo a decadência do lugar e indignando-se com as pessoas sujas
e de andar arrastado.
Na ânsia
de ver-se livre logo daquele lugar, a cartógrafa seguia com os afazeres de seu
expediente até as horas mais avançadas, e em uma dessas noites ela voltava com
um tanto de aversão para a única estalagem do lugar, no andar de cima da
taverna, onde ela já imaginava o repugnante Aldridge já entorpecido dirigindo
gracejos a ela com o hálito fétido de bebidas baratas. Tendo consigo apenas uma
lâmpada à óleo para iluminar seu retorno, era uma noite tão escura quanto fria
e silenciosa, Elinor deparou-se com um rastro singular que pelo pouco que
conseguia enxergar saia de um beco e seguia para outro. No mesmo instante
deu-se conta que não havia mapeado ou anotado em seu livro aquela entrada
estreita e deteriorada, seguindo então o rastro pelo caminho desconhecido a
moça foi conduzida desavisadamente até o cemitério abandonado.
Naquele
lugar macabro a luz fraca que ela carregava não era capaz de vencer a densidade
da escuridão e Elinor não pôde perceber as palavras profanas que ossos antigos e
quebrados cuidadosamente dispostos formavam no solo, talvez tenha sido melhor
assim... Certas palavras nem mesmo podem ser lidas sem expor um desavisado
leitor aos perigos de obscuros ritos lúgubres. O vestido da jovem tremulava com o
vento congelante enquanto ela tentava decidir se seguia em frente ou voltava, mas
não teve tempo para a decisão. Logo ela percebeu vultos que se contorciam entre
as lápides partidas, cada uma daquelas pedras mortuárias parecia exibir uma
imagem embaçada e nevoeirenta enquanto as formas estranhas se contorciam ao
redor delas chafurdando no solo lamacento.
Ela teve a
infelicidade de encontrar algo mais assustador e repugnante que aquilo tudo o
que já havia presenciado, uma coisa mais asquerosa que aquelas pessoas que embebedavam-se,
sussurravam e balbuciavam coisas estranhas sobre um passado remoto. Sem saber
Elinor observava as sombras do início do despertar daquilo que os miseráveis
habitantes de Ashmouth tanto temiam.
Após um pequeno hiato não programado, mas previsível 😄 publico aqui a primeira parte da série de vídeos sobre a hacker cyberpunk Aiko.
Não vou esticar muito o texto, mas antes de deixar o vídeo quero deixar um pedido para darem uma passada no Youtube e dar uma curtida no canal XDevil, eu agradeço 😁
Hoje eu trago para o blog a parte inicial de um conteúdo que tem consumido muito das minhas poucas horas 👀, tudo deu um trabalho imenso e muito desse trabalho foi dedicado a aprender a usas novas ferramentas de imagem e à adaptação do texto ao que eu sou visualmente capaz de criar por enquanto...
Enfim, estou muito feliz em poder compartilhar esse novo trabalhos com vocês! Ah, como poderão ver, esse é vídeo nº 0 do conteúdo, é um vídeo de divulgação que também pode ser assistido no meu canal do Youtube. Se puder, passa por lá para dar uma força no canal 😉
Espero que gostem da história de AIKO e sua luta para recuperar Neon-City 01 do controle da NeoCorp. Acompanhem para não perder os capítulos.
Oculto e Sobrenatural - Quatro Histórias Inexplicáveis
OCULTO E SOBRENATURAL
Essa postagem é para mostrar para vocês a publicação do meu livro que está disponível na Amazon em versão digital, para Kindle e dispositivos móveis com o aplicativo Kindle instalado e versão impressa. O livro reúne de quatro contos escritos por mim, são eles:
De Dentro da Terra: Um ex-policial atua como um detetive particular para resolver uma situação que parecia simples em sua nova vizinhança, mas surpreende-se com um mistério abissal que desafia todas as suas crenças, sua sanidade e abala toda sua vida.
Invasor Invisível – O Desaparecimento de Brianne Sullivan: Um estranho invasor, o breve
relato de uma garotinha sobre uma estranha figura a observá-la e um
desaparecimento. Uma sequência de acontecimentos insólitos que destruíram a
vida de uma família. Estariam estes eventos estranhos ligados entre si?
Na Companhia de Margot: A solidão na vida, a solidão na morte… Uma solitária aparição
parece acompanhar diferentes famílias durante séculos.
Pesadelos: Sonhos desagradáveis, sonhos
ruins, pesadelos recorrentes dos quais não temos certeza se conseguimos acordar
ou se ainda estamos presos dentro deles. Meta-sono, pesadelos dentro de
pesadelos sem nunca acordar.
Você pode adquirir o livro clicando AQUI, ou no banner lateral da página principal do blog. Nos dois casos você será redirecionado para a página da Amazon.
Agora deixo para vocês um dos vídeos de divulgação do livro, espero que gostem 😉
Você também pode assistir o vídeo diretamente no Youtube, basta clicar AQUI
Bom, mais uma vez
vamos aos esclarecimentos e às mudanças ...
Faz um bom tempo que
não há novas postagens no blog, mas ele não está abandonado, estou sempre
verificando comentários, acessos e mensagens. Posso não estar postando na
frequência que gostaria, mas estou sempre por aqui mesmo tendo dedicado o
último ano para testar novas formas de criação e de postagem de conteúdo.
Considerando a
limitação de trabalhar sozinho em todos os projetos cheguei à conclusão que
manter tudo centralizado aqui mesmo é o mais inteligente e saudável para mim
nesse momento. Por isso, vamos a algumas mudanças simples para organizar melhor
minha vida por aqui e aumentar seu nível de experiência e imersão nesse
trabalho que adoro muito fazer e manter nesse blog é algo que está ligado à
minha história pessoal.
Dito isso, vamos lá:
Deste ponto para
baixo, ou seja, desta postagem para as mais antigas, estão publicados materiais
de uma fase mais ‘perdia’ do blog. Muito material foi convertido para rascunho
para ser retrabalhado, mas não tenho data para que a republicação desse
conteúdo. O restante do material que está disponível abaixo dessa postagem, ou
seja, aquilo que não foi convertido em rascunho e suspenso do blog, será
reescrito e retrabalhado ainda que versões antigas estejam disponíveis para leitura. A meta para isso é não ter meta 😊
Enfim, o importante é
que o blog voltará a ter atualizações constantes, principalmente de contos e
histórias de minha autoria, as creepypastas e os “Casos Estranhos” serão
gradualmente movidos para meu segundo blog o SUPER SPOOKY, que você pode
acessaraquiou clicando no banner lateral que está na página principal.
Esse blog também voltará a receber novos conteúdos regularmente.
Novas ilustrações para
o blog e para os textos estão sendo desenvolvidas para melhorar a imersão nas
histórias e serão incluídas tanto nos novos conteúdos, quanto nas republicações
de conteúdos antigos. Alguns conteúdos específicos terão elementos em vídeo ou
animação, esses conteúdos específicos estarão disponíveis aqui e logo estarão também no
canal XDevil no YouTube, o link para esse tipo de conteúdo sempre estará na própria
postagem.
Um projeto de apoio é
a publicação de coletâneas de contos e outras histórias em formato digital para
Kindle e dispositivos móveis que tenham o App Kindle instalado. A primeira
coletânea foi “Oculto e Sobrenatural – Quatro histórias Inexplicáveis”,
clique aqui, ou no título para visitar a página da coletânea na Amazon.
Se for do seu
interesse e quiser dar uma força para o meu trabalho, as coletâneas digitais
possuem um valor muito acessível e adquirindo e divulgando você me ajudará
muito a continuar com esse trabalho. Também, se for do seu interesse ajudar os
projetos, pode fazer uma contribuição de qualquer valor através da Chave PIX atristefigura@gmail.com (Nubank), fazendo a contribuição PIX, se
quiser que seu nome apareça no blog como colaborador, envie o comprovante, seu nome
e/ou pseudônimo para o e-mail atristefigura@gmail.com e será incluído em um quadro lateral com
destaque para os colaboradores.
Bem, acho que isso
define o principal das mudanças por aqui. Espero que continuem gostando,
acessando lendo e interagindo. Obrigado pelo acesso e interação nesses 15 anos
de Moderno Bestiário.
Um estranho invasor, o breve relato de
uma garotinha sobre uma estranha figura a observá-la e um desaparecimento. Uma sequencia de acontecimentos
insólitos que destruíram a vida de uma família. Estariam estes eventos
estranhos ligados entre si?
INVASOR INVISÍVEL
O Desaparecimento de Brianne Sullivan
Em
busca por respostas sobre o que aconteceu comigo e com minha família, tenho dedicado
tempo pesquisando similaridades e pistas que possam esclarecer ao menos parte
do que aconteceu conosco. Nestas pesquisas foi inevitável, diante da natureza insólita
do ocorrido, que eu acabasse me deparando com sites e comunidades na internet
sobre paranormalidade e sobrenatural, não é desconhecido que a internet é rica
em relatos fantásticos e em todo tipo de teorias da conspiração, mas era a
única via que me restava. Eu encontrei diversos relatos, de diversas fontes,
que ao final sempre conduziam as pessoas para um final trágico e traumático...
Bem, até agora esta foi a única semelhança com meu caso.
Escreverei este relato da maneira mais simples que
eu conseguir, acreditando que assim, atentando somente aos fatos e
explicando-os, o caso possa ser levando mais a sério e não terminar somente
como mais uma ‘creepypasta’ na internet. Uma pequena frase dita pela minha
irmãzinha durante o tenso acontecimento pode levar você a ligar o caso que
relatarei ao mito sobre o “Homem Esguio”, mas espero que perceba que isso pode
ser apenas uma mínima semelhança já que o que aconteceu conosco possui muitos
outros elementos que divergem dos muitos relatos que povoam a internet.
Nosso pesadelo teve início quando eu tinha 10 anos
de idade, minha irmãzinha tinha apenas 4 aninhos, minha mãe estava chegando aos
40 anos e minha avó, a quem visitávamos todas as férias escolares, tinha 70
anos e era muito lúcida e ativa. Dou ênfase às idades e às condições de cada um
de nós para que possam perceber que minha irmã e eu estávamos acompanhados por
adultos lúcidos e ativos com idades não muito avançadas para serem considerados
senis.
Durante nossas férias na casa de nossa avó também
sempre estava conosco tio Steve, um homem jovem, também lúcido e ativo, um
caçador bem conhecido pelos locais e dotado de um censo prático difícil de encontrar
nos dias de hoje. Tio Steve era irmão de minha mãe, apenas três anos mais novo
que ela e também foi uma testemunha do ocorrido e sofreu com os sentimentos
traumáticos até o fim de sua vida.
O
lugar todo estava em ruínas e tudo por ali cheirava como um poço de lodo, com
certeza há muito tempo ninguém cruzava aquele gramado alto, tomado por ervas
daninhas e empoçado de lama, para chegar até a estufada porta de madeira da entrada.
Os vizinhos afirmavam que nunca viram alguém entrando, mas era comum avistar
pessoas saindo, eles deviam saber o que estavam dizendo, com certeza vigiavam o
casebre dia e noite, assim como vigiavam a vida uns dos outros.
Primeiro
ouvi as histórias, relatos até então tidos como exagerados e fantasiosos, mas
todas as histórias tinham um ponto em comum: Ninguém entrava, mas pessoas saíam.
Pelo que contavam, havia época de maior e época de menor movimento, mas recentemente
não havia movimento algum, apenas podia-se ouvir em estranhas horas da
madrugada barulhos de líquidos como se despejados de uma grande altura e um dos
vizinhos alegava que em alguns destes momentos era possível observar, através
das frestas das janelas de madeira apodrecida, o movimento de uma luz fraca perambulando
lá dentro.
Ninguém
sabia identificar o dono do casebre e nem puderam entrar em um consenso sobre quando
aquela estranha atividade teve início, quanto às pessoas que saíam todos eles afirmavam
convictos que eram todos altos, pálidos, cambaleantes e maltrapilhos, a maioria
deles seminu. Por mais fantasiosa e espalhafatosa que a história parecia ser
naquele momento, seria necessário verificar, a expansão da cidade estava
espremendo os tipos mais estranhos para os bairros mais silenciosos causando
problemas e situações que pessoas como aquelas da vizinhança não estavam
acostumadas a lidar.
Então, sob o olhar dos
curiosos segui até a casa, venci o gramado alto pisando em várias poças de lama
até atingir a porta. Bati e aguardei alguns segundos, como já esperava, não
obtive resposta. Passei a sondar as janelas, mas mesmo com frestas e falhas
causadas pelo apodrecimento das madeiras a escuridão do interior impedia
divisar qualquer coisa. Dei a volta pelo terreno lamacento onde a pequena
propriedade abandonada estava praticamente afundando, minha intenção era buscar
por uma porta nos fundos, como era comum naquele tipo de construção, encontrei,
mas ela estava bloqueada por fora por madeiras pregadas toscamente, montes de
terra e detritos de pedra e madeira carcomida pela podridão.
Eu estava deitado, sonolento e sentindo vertigens, mas
pude perceber um homem ao lado da minha cama sussurrando para outra pessoa sobre
mim, eu não conseguia perceber a presença de mais ninguém no quarto. O homem
falava sobre como eu reagiria se um dia pudesse acordar e como tudo o que
aconteceu estava diretamente ligado à minha personalidade. Quanto mais eu
tentava prestar atenção menor era a minha compreensão sobre o que aquele homem
corpulento e barbado estava falando, eu não sabia que lugar era aquele e, principalmente,
o que tinha acontecido comigo.
Tentei me mexer e levantar da cama, não sentia que
estava preso ou amarrado, mas era impossível qualquer movimento, me dei conta de
que talvez eu tivesse sofrido algum acidente e estivesse paralisado. Eu estava
preso em mim mesmo! Eu queria falar, mas minha língua e minha boca permaneciam
imóveis, em desespero tentava gritar, mas nenhum som saía pela minha garganta.
Preso em mim mesmo!
O homem continuava falando sobre mim
e embora sua voz fosse sussurrada ele parecia dar pouca importância para mim,
parecia estar falando baixo não por minha causa, mas sim porque seus ouvintes exigiam cerimônia para ouvirem sobre aquilo. Tentei então fazer sinais com os
olhos, pois me pareciam vivos ainda, mas nem o homem e nem os ouvintes perceberam.
Aos poucos comecei a perceber que o
homem estava informando um relatório sobre meu caso, pude compreender poucas
coisas, pois sua linguagem ficava cada vez mais indecifrável, mas ao final do
diagnóstico que ele estava recitando eu senti um medo terrível, pois percebi
que ele olhou diretamente para mim e disse em um tom de voz um pouco mais alto,
mas ainda solene, que eu não esboçava nenhuma reação há 15 anos e nem mesmo era
capaz de abrir os olhos. Como poderia ser? Eu estava ouvindo e enxergando tudo!
Em meio a tudo aquilo eu comecei a me senti muito cansado e com muito sono, eu não queria dormir
novamente, mas fui dominado por um torpor profundo. Tentei agitar
o corpo uma última vez para chamar a atenção daquelas pessoas e em um último
esforço tentei rolar meu corpo para fora da cama. O quarto escureceu e eu caí em um
abismo profundo, senti muito medo e mais uma vez fiz esforço para gritar, a voz
finalmente saiu de minha garganta, mas totalmente incompreensível e abafada
como se minha boca estivesse coberta por mãos muito fortes, em
desespero eu afundei na escuridão do abismo. Acordei em sobressalto quando
estava prestes a atingir as profundezas abissais.